Cinco coisas que você precisa entender sobre as eleições de 2022

Eleições 2022: Mesmo com inúmeras tentativas da chamada '3ª via', Lula e Bolsonaro devem consolidar favoritismo e protagonizar 2º turno
Eleições 2022: Mesmo com inúmeras tentativas da chamada '3ª via', Lula e Bolsonaro devem consolidar favoritismo e protagonizar 2º turno

O primeiro texto que escrevi para o Yahoo foi parar no Trending Topics do Twitter. No texto eu explicava os motivos pelos quais Bolsonaro, naquele momento, seria reeleito. Depois, insisti na tese de segundo turno, quando a maioria dos analistas dava como certa a vitória de Lula no primeiro. Sou um gênio? Não. Quem me dera! Fosse um gênio não teria estudado por mais de dez anos sem levantar da cadeira. Mas presto atenção na história. “A história é cíclica” e “tudo já foi dito antes, mas como ninguém presta atenção, precisamos repetir”.

Lula e Bolsonaro são dois personagens políticos muito fortes, o que a gente chama de “mitos políticos”. Aqui eu abro um parênteses, mito também pode ser uma ideia falsa. Mas vamos lá... nesse texto pretendo elencar cinco pontos pelos quais Lula e Bolsonaro não terão suas lideranças ameaçadas nesse ano.

Primeiro: lideranças políticas não são inatas, são construídas. Uma duquesa não é duquesa se estiver a 1km da carruagem. Para ser líder precisa de consenso, de um corpo social. E esse corpo social é o que oferece o poder com a cumplicidade que ele concebe. E a partir daí o líder exerce seu poder. É como se fosse um oráculo que fala pelo povo mas incrusta nele a sua própria vontade. Bolsonaro e Lula são mestres nisso, em fazer com que as suas vontades pareçam a vontade do povo. São líderes e cúmplices.

Mas aí vem um ponto em que os dois diferem. Um dos motivos do sucesso do mito é ele conhecer as regras do jogo. Bolsonaro contou muito mais com a sorte do que com a astúcia, mas Lula mostrou conhecer o jogo.

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Segundo, um líder deve demonstrar devoção e sacrifício pela causa. Nisso, os dois são mestres. Suas palavras são capazes de mobilizar ou desanimar o público. E o líder está sempre correndo o risco de perder a confiança dos dominados. Por exemplo, como Ciro Gomes em 2002, que ia bem na corrida presidencial mas soltou uma frase muito infeliz e pôs tudo a perder. Essa relação de conflitos é a política. Por isso insistimos que política é a arte do dissenso que vira consenso. Lula e Bolsonaro defendem suas causas ao ponto de serem presos ou sofrerem atentados. É a narrativa construída.

Terceiro: saber agir nesse jogo conflituoso é o que leva à manutenção do poder. Lula mostra conhecer bem as regras do jogo e sabe mobilizar as massas que seguem acreditando que mesmo depois de Mensalão, roubalheira nos Correios, Petrolão, propina de Waldomiro Diniz e outros tantos ele é inocente. Nunca soube de nada.

Bolsonaro usa a autoridade ridícula, o líder infame, o grotesco, a inevitabilidade do poder como forma de manutenção de seu poder. O bufão de volta à cena.

E cada um vai se transformando num mito político na medida em que os liderados vão comprando esse tipo de encenação. E aí surgem os seguidores. Muito mais que eleitores, fãs apaixonados que não deixam que nada nem ninguém contradiga ou atinja seu líder. Como os fãs da Anitta, só que na política.

Quarto: os homens fazem sua história, mas não a fazem como querem, disse Karl Marx. Ciro não emplaca porque não tem carisma político, Tebet ainda é uma incógnita, não tem tempo para se provar capaz de quebrar a liderança dos dois principais mitos. Lula e Bolsonaro ainda têm a liderança midiática, algo tão difícil de conquistar. Ciro tenta com Ciro Games e outras “pataguadas” de seu marqueteiro João Santanna, mas não acerta o imaginário social, como acertam os outros dois.

E, quinto, nesses tempos dito modernos, as relações de poder são completamente dependentes do espaço público de comunicação. O poder é constituído além de tudo dessas relações e não somente dos espaços institucionalizados. Por isso os exemplos de Ciro, exemplos muito positivos, diga-se de passagem, não funcionam. Falta o espaço de destaque da comunicação. Por esses motivos elencados, nas eleições de 2022 você não verá o debate quebrado entre Lula e Bolsonaro. É histórico. É cíclico.