Eleições de 2022 terão maior número de candidaturas indígenas na história

Vanderlecia Ortega dos Santos, ou Vanda, do povo indígena Witoto, candidata a deputada estadual do Amazonas pelo partido Rede, é recebida por apoiadores após chegar de viagem de campanha a comunidades indígenas, em Manaus, 18 de setembro de 2022. REUTERS/Bruno Kelly
Vanderlecia Ortega dos Santos, ou Vanda, do povo indígena Witoto, candidata a deputada estadual do Amazonas pelo partido Rede, é recebida por apoiadores após chegar de viagem de campanha a comunidades indígenas, em Manaus, 18 de setembro de 2022. REUTERS/Bruno Kelly

Jerônimo Rodrigues, candidato petista que pode ir ao segundo turno na disputa pelo governo da Bahia, se declarou indígena no registro do Tribunal Superior Eleitoral. Com ele, foram 172 postulações consideradas aptas pela Justiça Eleitoral a concorrerem a cargos em 2022.

Desde 2014, quando começou a autodeclaração, esse é o maior número de indígenas candidatos. Naquele pleito, foram 84 registros. Em 2018, o número subiu para 134, segundo informações do TSE.

Para os cargos majoritários, além do petista, concorre ainda, no Amazonas, o médico indígena Israel Fontes Dutra, o Dr. Israel Tuyuka, disputa o governo pela federação PSol-Rede.

Outros três compõem chapa como vice-governadores: Pelo UP no Ceará, o agricultor e líder indígena Francisco Antonio Soares Correia, o Bita Tapeba; no Amazonas, Anne Moura pelo PT; e Francisco Wapichana, em Roraima pelo PSol.

Além de dois candidatos ao Senado: Bartolomeu da Silva Tomaz (PSol-Rede de Roraima) e José Wellington Barroso Barroso, que busca reeleição pelo PT do Piauí.

Para a presidência da República, a professora maranhense Raquel Aguiar Santos, conhecida como Raquel Tremembé, está como vice na chapa de Vera Lucia, do PSTU.

Em 2018, dois candidatos a vice se declararam indígenas: a primeira era Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), foi vice de Guilherme Boulos, ambos do PSol. Neste pleito, ela concorre a uma vaga na Câmara Federal.

Veja as últimas pesquisas eleitorais para presidente:

O vice-presidente eleito, General Mourão, também se dizia indígena no registro do TSE na época, mas agora, concorrendo a vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul, pelo Republicanos, ele alterou a identificação para ‘branco’.

Em agosto deste ano, ele se pronunciou sobre o assunto no Twitter dizendo ser “índio sim e com muito orgulho. Está estampado no meu rosto e na minha pele, independentemente de qualquer formulário burocrático”.

Indígena Sonia Guajajara, chefe da organização Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e candidata a deputada federal, conversa com um homem durante atividade de campanha em São Paulo, Brasil, 21 de setembro de 2022. REUTERS/Amanda Perobelli
Indígena Sonia Guajajara, chefe da organização Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e candidata a deputada federal, conversa com um homem durante atividade de campanha em São Paulo, Brasil, 21 de setembro de 2022. REUTERS/Amanda Perobelli

Foram lançadas ainda: duas candidaturas para deputado distrital; três para suplência; 104 para assembleias estaduais; e 54 para a Câmara Federal.

Por lei, o reconhecimento da pessoa como indígena ocorre por meio da autodeclaração. O número de indígenas candidatos não simboliza que todos corroboram com as pautas dos povos originários.

A Apib lançou uma campanha para destacar 30 candidaturas parlamentares, de 20 estados do país, que fazem parte do movimento pela defesa da demarcação de terras e garantia de direitos dos povos originários.

“Em 2022, as organizações regionais que compõem a Apib escolheram as candidaturas que integram a Bancada Indígena. Os critérios de escolha das candidaturas são definidos pelas bases das regionais respeitando a autonomia de cada organização a apontar as lideranças legítimas do movimento que irão disputar as eleições”, informa o site de divulgação.