Eleitas na Baixada serão as primeiras prefeitas na história de seus municípios

Cíntia Cruz
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Em um cenário majoritariamente masculino, elas conquistaram os cargos mais altos de suas cidades. Pela primeira vez, dois municípios da Baixada Fluminense — Japeri e Guapimirim — vão ter uma mulher comandando o Executivo. Em Paracambi, a primeira prefeita, eleita há quatro anos, conquistou o segundo mandato. Agora, o desafio é corresponder à expressividade que tiveram nas urnas.

Em Japeri, a médica Fernanda Ontiveros, de 40 anos, além de ser a primeira prefeita da história da cidade, foi a única candidata do PDT no estado eleita para o cargo, já que, além dela, a candidata da legenda foi a delegada Martha Rocha, que não chegou ao segundo turno no Rio. Com 38,31% dos votos, Ontiveros disputou o cargo com oito homens

— Não quero ser só a primeira mulher prefeita da cidade, quero ser a melhor prefeita da história da minha cidade. Que na próxima eleição a gente consiga dobrar, triplicar o número de candidatas. Em Japeri, o único registro de candidatura com mulher era o meu. Não tinha nenhuma chapa com vice mulher — declarou a prefeita eleita, pediatra há 17 anos e que chegou a concorrer como vereadora nas eleições de 2008, 2012 e 2016.

A caçula do trio é a deputada estadual Marina (PMB), de 29 anos. Ela começou na política aos 23, em 2012, quando foi a vereadora mais votada em Guapimirim. Três anos depois, foi secretária municipal de Turismo, Esporte e Lazer. É a segunda vez que concorre à prefeitura. Se em 2016, teve 7.965 votos e amargou o segundo lugar para o atual prefeito, Zelito Tringuelê (PL), no último domingo recebeu quase o dobro: foram 14.827 votos para garantir a vitória.

— Nasci em 89, um ano antes da emancipação de Guapimirim, que nunca teve uma prefeita. Hoje vemos muito mais mulheres na política, mas ainda vejo isso como um crescimento — disse Marina, que disputou a prefeitura com outras três mulheres e apenas um homem, o atual prefeito.

Primeira mulher a assumir a Prefeitura de Paracambi, em 2017, Lucimar do Dr. Flávio (PL) vive, neste ano, a experiência da reeleição. Ela conquistou 52,23% dos votos e deixou para trás os outros seis concorrentes. Todos do sexo oposto. Apesar do bom resultado nas urnas — teve mais do que o dobro do segundo candidato—, Lucimar garante que não tem, por enquanto, ambições políticas fora da cidade:

— Penso agora em governar nesses quatro anos, sempre presente, ouvindo a população, fazendo um bom trabalho. Se daí para frente acontecer, vai ser por consequência. Mas agora não penso muito nisso.

Sobre o movimento de mulheres na política da região, Lucimar destaca as qualidades que agregam à política:

— As mulheres poderiam se encorajar mais para entrar na política. São mais detalhistas, têm um olhar mais sensível.