Eleito no Sul, um dos fundadores do MBL deixou PSL por causa de Bolsonaro

FERNANDA CANOFRE

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - No último domingo (7), Fábio Ostermann, 34, do Novo, conseguiu conquistar uma das 55 vagas para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul com 48,8 mil votos. Foi a primeira vez que o cientista político conhecido como um dos fundadores do Movimento Brasil Livre, o MBL, se elegeu.

Entre as promessas estão focar na defesa das privatizações de estatais gaúchas, controle dos gastos públicos e cobrar que o governo coloque segurança pública como uma de suas prioridades.

Ostermann é conhecido como um dos precursores da onda liberal jovem no país. Depois de voltar de um período de estudos na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, abriu a versão brasileira da rede Estudantes Pela Liberdade (Students for Liberty). Um tempo depois, por volta de 2012, conheceu João Amôedo e começou a conversa que criaria o partido Novo no Rio Grande do Sul. Em 2014, ajudou a fundar o MBL.

A saída dele do movimento, no final de 2015, veio com críticas e um racha. Segundo Fábio, enquanto defendia a criação de um estatuto, prestação clara de contas e mais diálogo na tomada de decisões, o movimento ia em outra direção. Ele, que era um dos coordenadores nacionais do grupo, diz que começou a sentir como se fosse "um obstáculo a projetos pessoais" de outros membros.

No ano passado, Ostermann criticou o que chamou de "postura servil e oportunista" do grupo diante das denúncias de corrupção contra o presidente Michel Temer e a cruzada contra a exposição Queermuseu, no Santander Cultural de Porto Alegre. Para ele, o slogan popular entre candidatos que se apresentam como liberais na economia, mas conservadores nos costumes, "não faz o menor sentido".

Foi esse o motivo que o levou a deixar o PSL em janeiro, com a filiação do grupo de Jair Bolsonaro à legenda. Ostermann chegou a ocupar o cargo de presidente estadual do partido e concorreu à Prefeitura de Porto Alegre. Nas redes sociais, ele disse não ter "pré-conceito" sobre o deputado e presidenciável, mas conceito de fato, com base em suas três décadas no Congresso, "em defesa de pautas antiliberais, autoritárias e estatizantes".