Eleitor de Bolsonaro desconfia das urnas, defende armas e vê otimismo na economia, mostra Datafolha

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A parcela de eleitores que quer reeleger o presidente Jair Bolsonaro (PL) no pleito de outubro é maior entre quem desconfia um pouco ou muito das urnas eletrônicas, entre defende a sociedade armada e entre quem não tomou ou tomou menos doses da vacina contra a Covid-19.

Em cada 10 de seus apoiadores, 8 acham que as Forças Armadas devem participar da contagem dos votos. Cerca de metade também concorda com a frase "o povo armado jamais será escravizado" e acredita que sua situação econômica melhorou nos últimos meses.

Veja abaixo o que pensam as pessoas que veem Bolsonaro como primeira opção para presidente sobre esses quatro temas: economia, armas, pandemia e urnas. Entenda também seu perfil, em geral mais masculino, mais rico, mais branco, mais velho e mais escolarizado, com destaque entre empresários.

Os assuntos foram questionados na última pesquisa Datafolha, feita com 2.556 pessoas acima de 16 anos em 181 cidades de todo o país nos dias 25 e 26. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.

A margem de erro total é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. É importante ponderar, porém, que ela aumenta quando se considera apenas os que votarão em cada candidato.

Dentro dessa amostra, são 1.234 a favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 693 a favor de Bolsonaro e 179 a favor de Ciro Gomes (PDT).

 1. ECONOMIA

Os eleitores de Bolsonaro em geral são mais otimistas em relação à economia: 41% acham que nos últimos meses a situação do país melhorou (em contraste com 14% do total) e 48% acreditam que isso também aconteceu em sua própria vida (contra 19%). Grande parte deles veem influência do tema em seu voto.

Apenas 16% de seus apoiadores recebem o Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família, diante de 26% entre os simpatizantes de Lula. Eles, porém, estão mais satisfeitos com o valor recebido, que é de no mínimo R$ 400 --quase metade o considera suficiente. A maioria não acha isso importante para decidir o voto.

2. ARMAS

Pivô de medidas de flexibilização no acesso às armas, Bolsonaro atrai o eleitorado que concorda com a frase "a sociedade brasileira seria mais segura se as pessoas andassem armadas para se proteger da violência" --45% de seus apoiadores o fazem.

A marca é bem superior à dos adeptos de Lula (18%) e Ciro (15%).

Sob Bolsonaro, o Brasil atingiu em dezembro de 2020 a marca de 2 milhões de armas legais particulares, o equivalente a uma para cada cem brasileiros, segundo o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que compilou os números do Exército e da Polícia Federal.

3. PANDEMIA

As pessoas que pretendem votar em Bolsonaro têm uma taxa menor de vacinação contra a Covid: 93% deles dizem que se imunizaram, ante 98% dos eleitores de Lula e Ciro. A porcentagem de quem afirma ter tomado a dose de reforço também é mais baixa (46%, contra 58% e 66%, respectivamente).

Isso porque nove em cada dez bolsonaristas acreditam que a pandemia esteja total ou parcialmente controlada e sete em cada dez avaliam o trabalho do presidente como ótimo ou bom nesse quesito. Consequentemente, 43% deles não têm medo de se infectar --o dobro dos eleitores de seus rivais.

A parcela dos apoiadores de Bolsonaro que concordam que o governo federal deveria fornecer a vacina gratuitamente para toda a população em 2023 (96%) também é ligeiramente menor em relação aos demais (99%), mas ainda dentro da margem de erro.

4. URNAS ELETRÔNICAS

A pesquisa aponta que 40% dos que pretendem votar em Bolsonaro não confiam nas urnas eletrônicas --contra 16% entre quem tende a escolher Lula e 13%, Ciro. Isso se reflete no alto índice de bolsonaristas que veem muita ou um pouco de chance de fraude nas eleições (81%).

É a mesma porcentagem dos que concordam que as Forças Armadas devem participar da contagem dos votos. Os apoiadores do presidente no geral não acham que suas declarações atrapalham o pleito (essa parcela é de 30%, metade dos 60% em geral).

Assim como entre os simpatizantes de seus rivais, porém, a maioria acredita que os ataques de Bolsonaro a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e suas ameaças sobre as eleições devem ser levados a sério pelas instituições do país.

5. PERFIL

O eleitor de Bolsonaro é bem mais masculino --27% dos homens o citaram como primeira opção espontaneamente, contra 18% das mulheres-- e mais velho: suas intenções de voto são de 26% entre idosos acima de 60 anos e cai para 16% entre quem tem de 16 a 24 anos, o oposto de Lula.

O movimento é o mesmo de acordo com as faixas de renda. O presidente tem a intenção de voto de 44% dos que ganham mais de dez salários mínimos por mês, parcela que cai para apenas 15% entre os que recebem menos de dois salários mínimos, o contrário do rival.

Isso o faz ser a escolha de metade dos empresários, com índice também acima da média entre aposentados (25%). Ele costuma angariar mais votos ainda entre quem completou o ensino superior e entre brancos (27% nos dois grupos), além do Centro-Oeste (35%), onde vem subindo nas últimas pesquisas.

Nas respostas espontâneas, ele tem vantagem entre os evangélicos (32%, contra 25% de Lula). Nas entrevistas estimuladas de primeiro e segundo turno, porém, os dois dividem os eleitores desse grupo religioso.

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