Eleitor de Lula teme golpe de Bolsonaro e sofre mais ameaças por política, aponta Datafolha

RIO DE JANEIRO , RJ (FOLHAPRESS) - Os eleitores que pretendem votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem sofrer mais ameaças por suas posições políticas e, em sua maioria, acreditam que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tentará dar um golpe de Estado antes do pleito de outubro.

Os apoiadores do petista têm uma visão mais positiva do STF (Supremo Tribunal Federal), mas seguem a média geral quanto à avaliação do Congresso Nacional. Eles também afirmam ser menos presentes e engajados nas redes sociais do que os bolsonaristas.

Oito em cada dez eleitores de Lula acreditam que o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e a criação de novos auxílios pelo governo até o fim do ano foram pensados para ganhar votos para Bolsonaro e, ainda assim, mais da metade deles acha o valor insuficiente.

Cerca de um quarto dos que votarão nele recebe o benefício e vendeu algum bem ou objeto de valor para comprar alimentos ou itens básicos nos últimos meses. O ex-presidente tem mais aderência entre os brasileiros mais pobres, jovens, negros e indígenas, nordestinos, menos escolarizados e mais católicos.

Veja abaixo o que pensam as pessoas que têm Lula como sua primeira opção para presidente sobre esses quatro temas: sistema eleitoral, avaliação do Congresso e do STF, redes sociais e fome/auxílios.

Os assuntos foram questionados na última pesquisa Datafolha, feita com 2.556 pessoas acima de 16 anos em 183 cidades de todo o país nos dias 27 e 28 de julho. Ela foi contratada pela Folha e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-01192/2022.

A margem de erro total é de dois pontos percentuais. É importante ponderar, porém, que ela aumenta quando se considera apenas os que votarão em cada pré-candidato: é de três pontos entre eleitores de Lula, quatro em Bolsonaro e sete em Ciro Gomes (PDT), sempre na pesquisa estimulada.

Os demais postulantes ao cargo não foram incluídos porque a amostra é muito pequena.

1. AMEAÇAS POLÍTICAS E GOLPISTAS

A parcela de eleitores de Lula que acha que Bolsonaro tentará dar um golpe de Estado chega a 58%, contra 37% da média geral. Eles também acreditam que os ataques e ameaças do presidente às eleições devem ser levados a sério (61% contra 56%).

Quase 1 em cada 5 petistas diz ter sido ameaçado verbalmente nos últimos meses por suas posições políticas (19%). Entre os apoiadores de Bolsonaro, o índice é de 12%, portanto no limite das margens de erro. Já as ameaças físicas foram relatadas por 9% dos lulistas e 5% dos bolsonaristas.

2. AVALIAÇÃO DO STF E CONGRESSO

Quase um terço dos eleitores de Lula avalia o trabalho dos ministros do STF como bom ou ótimo (31%), parcela que é de apenas 23% entre os eleitores em geral. Já em relação aos parlamentares, a reprovação é parecida nos dois recortes: 37% e 39%, respectivamente.

Os que pretendem votar no petista também ficam próximos da média quando perguntados se lembram em quem votaram para senador (15% lembram) e deputado federal (18%) em 2018 e se acompanham o trabalho desses congressistas até hoje (63% e 64% acompanham).

3. REDES SOCIAIS

As pessoas que pretendem escolher Lula para presidente são menos presentes nas redes sociais (36% delas não têm nenhuma conta e 26% não têm aplicativos de mensagem), quando comparadas aos apoiadores de Bolsonaro (24% e 16%) e de Ciro (22% e 17%).

Elas também se dizem menos engajadas -só 25% seguem os perfis do ex-presidente, contra 38% do atual presidente. É mais comum que elas deixem de publicar ou compartilhar algo sobre política para evitar discussões com amigos ou familiares (44%, contra 35% de Bolsonaro).

4. FOME E AUXÍLIOS SOCIAIS

Lula tem mais adesão entre os que passaram aperto nos últimos meses para comer: 25% deles venderam algum bem ou objeto de valor para comprar alimentos, 71% compraram marcas mais baratas, 37% compraram produtos próximos ao vencimento e 27% compraram sobras de carne ou frango.

Quase metade dos que o apoiam (45%) afirma que a quantidade de comida em casa foi insuficiente recentemente, contra 33% da média geral. Entre seus eleitores, 28% recebem Auxílio Brasil, 65% acham que o novo valor de R$ 600 é insuficiente, e 80% acreditam que os novos benefícios dados por Bolsonaro só buscam votos.

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