Eleitor de Russomanno muda de voto por dúvida e medo

Medo de pagar mais com a tarifa proporcional para o transporte público, explicações confusas do candidato sobre essa e outras propostas, plano de governo fraco feito por um “laranja”, dúvidas acerca de sua capacidade de gerir uma cidade como São Paulo, falta de transparência sobre a ligação com a igreja. O eleitor vai listando os motivos que o fizeram, a poucos dias das eleições, desistir de Celso Russomanno (PRB), que liderou as pesquisas de intenção de voto até a reta final, mas acabou derrotado no primeiro turno.

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O jornal "O Estado de S. Paulo" voltou a conversar com eleitores que há 15 dias haviam declarado, em uma reportagem, voto ao candidato do PRB. No anonimato das urnas, nenhum deles manteve-se fiel a Russomanno. Dividiram-se principalmente entre Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) ou anularam o voto, retrato do resultado nas urnas no domingo (7). Poucos dias antes, ninguém imaginava esse cenário.

“Ah, eu não senti firmeza no Russomanno, sabe? Sempre fui petista! Aí pensei: melhor ficar no mesmo do que mudar para pior, não é?”, disse a costureira Domingas Martins de Jesus, de 51 anos, de Cidade Tiradentes, reduto do PT onde às vésperas do pleito Haddad ainda perdia para candidato do PRB. “(Na urna) Cheguei a pensar no Russomanno, mas desisti. Sou baiana e na minha terra o Lula fez muito, levou água pro sertão.”

Católica, com uma irmã evangélica e a outra da denominação Testemunhas de Jeová, ela diz que não ficou claro “de que lado” o candidato estava. “Eu respeito todas as religiões, mas essa coisa de ele não se revelar... E ainda querer envolver a igreja na política, isso não ia dar certo!”

A diarista Bernadete de Souza, de 37 anos, pensa como Domingas. Moradora do Grajaú, no zona sul, outro reduto petista, e fiel à Assembleia de Deus, inicialmente ela avaliou que seria bom eleger alguém ligado aos evangélicos. À medida que a disputa avançava, pensou melhor: “Não estou votando para bispo, mas para prefeito!”. E deu seu voto ao PT.

Outra dúvida uniu as duas mulheres, e o extremo leste à zona sul: se seus filhos pagariam mais pelo transporte público com Russomanno na Prefeitura. A campanha do PT usou a tarifa proporcional para desconstruir o projeto do PRB, sem ter de fazer ataques pessoais ao candidato.

Flávio, filho de Domingas, pega ônibus, trem e metrô para chegar ao laboratório onde trabalha como recepcionista na Avenida Paulista, em um trajeto que dura 1h30. “A gente ficou na dúvida: será que pagaria mais?”, diz ela, ainda com um ponto de interrogação no final da frase. “Na dúvida, melhor não arriscar”, completa a costureira.

A dona de casa Sandra de Souza Custódio Novaes, de 40 anos, ficou em dúvida até o último momento. “A tarifa influenciou”, ela diz, mas a falta de experiência do candidato do PRB na política e um plano de governo, em sua opinião, irrealista foram determinantes. “Acho que ele (Russomanno) prometeu coisas que não conseguiria cumprir. É sempre assim quando não se é político”, diz. Diante da urna, decidiu anular o voto.

A falta de experiência foi o mote dos discursos de Serra e Haddad contra Russomanno e contou para que a agente de turismo Paloma Tonin, de 28 anos, pensasse melhor. “Eu tendia para o Russomanno, mas vi que não tinha prática. Também li na internet a proposta dele e achei fraca”, diz, mencionando ainda escândalos revelados na campanha. “É, ele (Russomanno) me pareceu ser um pouco falso”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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