Eleitorado de Lula ainda está longe da pré-campanha de Freixo, mostra pesquisa Datafolha

A corrida eleitoral ao governo do Rio já tem os principais acordos selados a partir de apoios dos pré-candidatos presidenciais Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Ainda assim, os pré-candidatos ao governo fluminense mais bem colocados nas pesquisas, o deputado Marcelo Freixo (PSB) e o governador Cláudio Castro (PL), têm desafios para aproveitar os segmentos mais fortes do eleitorado de seus respectivos padrinhos. Um levantamento do Pulso com base na pesquisa Datafolha mais recente no estado mostra que Freixo tem dificuldades entre setores mais populares, nos quais Lula é mais forte. Castro, por sua vez, espelha alguns bons resultados e grande parte das dificuldades de Bolsonaro no Rio.

A disputa no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país, é parelha. Freixo e Castro empatam tecnicamente em cenários tanto com, quanto sem o ex-governador Anthony Garotinho (União Brasil), ambos em torno dos 22%. A corrida pelo Palácio Guanabara até agora tem mostrado Castro com uma estratégia de não antagonizar diretamente com potenciais eleitores de Lula, enquanto o ex-presidente vem sendo cortejado também pelos adversários de Freixo Rodrigo Neves (PDT) e Felipe Santa Cruz (PSD). No entanto, se a disputa estadual tem empate nas pesquisas, a presidencial mostra Lula à frente de Bolsonaro no RJ: 41% a 34%. A baixa rejeição também joga a favor de Castro: enquanto o voto no presidente é rejeitado por 52%, só 19% dizem que não votariam no governador.

Alguns segmentos importantes da população evidenciam dificuldades de Freixo para tomar impulso entre estratos sociais que mais alavancam o sucesso de Lula no estado. Particularmente, católicos, pessoas que se identificam como pretas e aquelas com menor renda e escolaridade. Lula também consegue mais intenção de voto feminino, com 44% – Freixo tem 21%.

Enquanto o petista tem facilidade para atrair o público católico no Rio (48%), Freixo não passa dos 22%. O apoio ao ex-presidente também se mostra resiliente entre pessoas pretas (49%), mas não se converte em intenções de voto desse segmento para o atual deputado federal (19%). Lula também tem desempenho sólido entre pessoas com renda de até dois salários mínimos (44%), grupo em que Freixo tem apenas 16% de apoio.

Por sua vez, o candidato lulista ao governo estadual acompanha o desempenho sólido de Lula entre os mais jovens e lidera nos segmentos de 16 a 24 anos e de 25 a 34 anos – perdendo para Castro entre as faixas acima dos 45 anos. Freixo também tem números melhores conforme aumenta a renda dos entrevistados, chegando a 45% dos fluminenses com renda acima de dez salários mínimos. Por outro lado, em termos de escolaridade, enquanto Lula alcança 45% de apoio entre pessoas com ensino fundamental, Freixo estaciona em 11%.

Mesmo que a eleição ao Palácio Guanabara tenha suas dinâmicas próprias, os números do governador Cláudio Castro mostram algumas dificuldades semelhantes às que o presidente da República tem em seu caminho no Rio. Presidente e governador mantêm padrões semelhantes de apoio de acordo com renda (as faixas de dois a cinco e de cinco a dez salários mínimos são as mais fortes de ambos); idade (com Castro tendo somente 9% de votos entre pessoas de 16 a 24 anos, frente a 26% de Bolsonaro); e gênero (Castro só chega hoje a 17% de apoio entre as mulheres fluminenses, e o presidente, 30%).

Em termos de escolaridade, Castro não consegue repetir o desempenho eficiente de Bolsonaro entre pessoas com ensino médio (38% para o presidente, contra 24% do governador). E se Castro já parece ter desafios em atrair o eleitorado jovem e o feminino, outro, sua campanha pode estar atenta ao componente religioso também: enquanto cantor católico que também faz acenos ao eleitorado evangélico (como com a indicação de Washington Reis), ele fica no limite da margem de erro acima de Freixo entre católicos (27% contra 22%), e não consegue repetir o domínio de Bolsonaro entre evangélicos (49%, com Castro ainda na faixa dos 24%).

O Datafolha fez 1.218 entrevistas no Estado do Rio de Janeiro entre os dias 29 de junho a 01 de julho de 2022. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob os números RJ-00260/2022 e BR-03991/2022.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos