Eleitores de São Paulo reclamam da dificuldade para justificar voto presencialmente

Ivan Martínez-Vagas
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Edilson Dantas / Agência O Globo
Edilson Dantas / Agência O Globo

SÃO PAULO — A expectativa era de um dia tranquilo para quem pensava em justificar o voto sem precisar sair de casa. Bastaria alguns minutos navegando no aplicativo e-título, do Tribunal Superior Eleitoral, e eleitor estaria quite com a Justiça Eleitoral mesmo sem ter votado na sua cidade. Mas o que se viu em diferentes zonas eleitorais foi uma corrida para tentar, presencialmente, fazer a justificativa, uma vez que o serviço não tinha pleno funcionamento durante toda a manhã.

e-Título:Sistema apresenta instabilidade para justificar voto; saiba o que fazer

O historiador João Paulo Gama esteve na na Escola Estadual Senador Afonso Gordo, no Morumbi, para justificar o voto. Ao chegar no local, foi informado que a seção de justificativa presencial foi fechada para evitar aglomerações.

Mesários e secretários convocados para trabalhar no dia da eleição também tinham pouco informação. Houve quem fora informado de que só poderia justificar a partir desta segunda, e nos cartórios eleitorais. Não satisfeito com as explicações, bastou procurar outro colégio para descobrir que é possível marcar sua ausência na eleição dentro de qualquer seção.

— Instalei o aplicativo e tentei justificar desde às 7h, sem conseguir. Tentei pelo site da Justiça Eleitoral também, mas só trava. Por isso, vim ao local de votação — diz ele.

A esteticista Alexia Haccourt, 25 anos, vota em Santa Catarina, mas vive há cinco anos em São Paulo, também tentou justificar o voto presencialmente no local.

— Já vim aqui na eleição passada, não sabia que a seção de justificativa não está funcionando — diz ela.

Nas redes sociais, eleitores também relataram problemas para acessar o E-Título ou justificar o voto pelo site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O prazo para fazer a justificativa é de 60 dias. Na Adolfo Gordo, os eleitores não esperaram mais do que cinco minutos para votar na manhã deste domingo. A maioria compareceu com o título de eleitor em papel, e não trouxe a própria caneta para assinar, como recomendado pelo TSE.

Caroline Ritter, 39 anos, veio pedalando até o local de votação, e usou o aplicativo E-título, do TSE, para votar, para evitar contato com outras pessoas.

— Achei que só precisaria mostrar o celular, mas o mesário pegou o meu celular com mão, mostrou a tela para outro. Não é o ideal, agora vou precisar higienizá-lo — conta ela.

Espelho eleitoral

Os idosos eram a maior parte dos eleitores que compareceram aos locais de votação na região do Butantã na manhã deste domingo. Durante as três primeiras horas de votação (das 7h às 10h), os maiores de 60 anos tiveram preferência na hora de votar.

A região teve um resultado eleitoral similar ao observado no restante da cidade nos últimos pleitos. No principal local de votação da região, o colégio Cervantes, foi possível aos votantes guardar distância, e não havia santinhos no chão ou filas nas seções eleitorais.

O comerciante Fábio Parente, 64 anos, decidiu vir votar cedo para não enfrentar filas, com receio de que houvesse aglomerações no local de votação.

— Acho importante votar, especialmente no momento atual. Eu escolhi o Bruno Covas. Tive receio de ter contato com pessoas, mas foi tudo tranquilo, a família inteira decidiu votar — afirma.

No mesmo local de votação, o engenheiro José Maria, 61 anos, afirma não ter receio da pandemia e considerar que o uso obrigatório de máscaras e a disponibilidade de álcool gel nas mesas de votação é suficiente para a proteção.

— 0 O problema que enfrentei foi na urna, que teve uma pane de cinco minutos, mas que foi resolvida — diz ele, que declara voto em Arthur do Val (Patriota).

Na Adolfo Gordo, Biana Moretti, 65 anos, reclamou da acessibilidade do local de votação. A idosa, que se locomove com o auxílio de uma bengala, precisou subir dois lances de escala para votar.

— Tive auxílio de voluntários para subir e descer, mas o certo seria ter rampas ou um elevador — ressalta.

Michel Reis, de 20 anos, escolheu vir cedo para não enfrentar filas. O rapaz morava no Morumbi, mas precisou se mudar com os pais para Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, após perder o emprego no início da pandemia.

— Acordei Às 6h30 para vir votar logo. Decidi votar no Celso (Russomanno) para ver se muda algo. Eu lavava carros aqui no bairro, mas estou parado desde o começo da pandemia — afirma.

O cineasta Gabriel Fernandes, 26 anos, afirma que não teve receio de vir votar e que faz testes para detectar uma eventual infecção de coronavírus com frequência semanal.

Eleitor de Guilherme Boulos (PSOL), Fernandes diz esperar o candidato passe ao segundo turno. Boulos aparece nas pesquisas de intenção de voto em segundo lugar em empate técnico com Celso Russomanno (Republicanos) e Márcio França (PSB).