Eles (agressor e vítima) conversavam normalmente', diz testemunha do ataque a advogado no Centro

Testemunha ocular do brutal assassinato do advogado Victor Stephen Coelho Pereira, de 27 anos, no fim da noite da última sexta-feira (22/07), no Centro, contou ao GLOBO que se surpreendeu com o crime, porque a vítima conversava com o agressor, antes do ataque. Segundo ela, que aguardava o VLT, sentada num banco da estação do Saara, bastou o segurança da região sair para ir ao banheiro, para o criminoso desferir o golpe de faca em Victor. Fontes da polícia não descartam a hipótese de "crime de ódio".

— Eles conversavam normalmente, atrás de mim, só que estavam nos trilhos (a cerca de quatro metros da testemunha). Eu não prestei atenção no que falavam, porque estava no telefone. De repente, senti um baque no anteparo de acrílico onde estava encostada. Foi quando o Victor recebeu a facada. Vi a poça de sangue no chão e me levantei ouvindo ele gritar: 'ai, ai, ai'. Ele saiu cambaleando até levar mais socos — relembra ela. — O homem perguntou para o rapaz: 'Cadê meu celular? Cadê meu celular?'. O rapaz ficou no chão — conta.

Segundo a testemunha, que foi depor duas vezes na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), ela chegou a imaginar que Victor fosse ladrão, embora os dois estivessem bem vestidos, por causa do tipo de pergunta feito pelo agressor à vítima. Ela chegou a conversar com o assassino:

— Sem noção, eu lhe perguntei: 'ele roubou seu celular?'. Ele me respondeu: 'Some daqui, caralho!'. Eu fiquei paralisada. Ela saiu correndo, trôpego, quase caindo nos trilhos. Seguiu pela Rua da Constituição. O segurança ainda passou por ele, sem saber do que havia acontecido. Quando ele deparou com o corpo na estação, saiu correndo atrás do assassino, mas já era tarde.

Câmeras de segurança registraram a imagem do agressor caminhando ao lado do homem que o matou, quatro minutos antes do crime. Vídeo obtido com exclusividade pelo GLOBO mostra Victor e o assassino andando na Rua da Constituição, às 23h53, no sentido Praça da República. Em determinado momento, a vítima acende um cigarro, enquanto o agressor fala ao celular. O advogado tinha saído de um pagode na Praça Tiradentes, onde esteve com amigos do escritório de advocacia para comemorar um aniversário.

Outras imagens mais fortes flagraram o momento do ataque na estação, às 23h57. Victor chega a engatinhar para tentar fugir do seu algoz. A testemunha disse que não viu o rosto do assassino e que não tem condições de fazer seu retrato falado ou de reconhecê-lo.

— Fiquei paralisada. Não tenho condições de reconhecer ninguém. Foi tudo rápido e estava escuro. O que não consigo me esquecer é da cena do rapaz agonizando. Liguei para os bombeiros e para o Samu três vezes! (o Quartel Central do Corpo de Bombeiros fica a poucos metros do local, na Praça da República). Fiquei de sete a oito minutos falando com o atendente, que me perguntava nome e endereço. Eu disse: 'Venham logo, tem uma pessoa esfaqueada morrendo na Praça da República!' — recorda-se, ainda traumatizada.

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