Eletrobras aprova aumento de capital de até R$ 9,9 bilhões

Ramona Ordoñez
Operação foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária

RIO - Em mais um passo em direção à privatização prevista para o próximo ano, a Eletrobras aprovou na última quinta-feira em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) aumento de capital social por subscrição privada de até R$ 9,98 bilhões, de acordo com comunicado ao mercado.

A operação será feita mediante a emissão de novas ações ordinárias pelo preço unitário de R$ 35,72, e também de novas ações preferenciais classe "B", pelo preço unitário de R$ 37,50 todas novas ações escriturais e sem valor nominal.

De acordo com o aprovado pela AGE, o montante mínimo do aumento do capital de R$ 4,05 bilhões será integralizado pela União, o acionista majoritário da Eletrobras, mediante capitalização de créditos detidos contra a estatal decorrentes de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (AFACs). Esses recursos já tinham sido aportados pela União na Eletrobras justamente para ajudar a companhia a se reestruturar para a privatização.De acordo com o comunicado, caso o montante máximo seja subscrito integralmente, o capital social da Eletrobras passará dos atuais R$ 31,4 bilhões para R$ 41,29 bilhões. Se apenas o montante mínimo for subscrito, o capital social da passará a 35,35 bilhões.Na AGE foi aprovado também o prazo que será dado aos acionistas para exercerem o direito de preferência para o aumento de capital. Este prazo se inicia na próxima segunda-feira, dia 18, e termina no dia 17 de dezembro. Com isso, a partir do dia 18 as ações da Eletrobras serão negociadas ex-direitos de subscrição.

Mansueto: 'Se não privatizar a Eletrobras, será um crime contra o povo brasileiro'Cada acionista terá o direito de subscrever 0,204722 novas ações para cada 01 ação de sua titularidade (20,4722% de sua respectiva participação), sendo que os titulares de ações ordinárias subscreverão em ações ordinárias e os titulares de ações preferenciais classe A e classe B subscreverão em ações preferenciais classe B.

No início do mês o presidente Jair Bolsonaro assinou projeto de lei para privatização da Eletrobras, assunto que será agora discutido no Congresso. No terceiro trimestre deste ano, o patrimônio da Eletrobras era de R$ 63 bilhões, enquanto que seu valor de mercado estava em R$ 52,7 bilhões. No auge da crise que se abateu na companhia, principalmente por mudanças regulatórias impostas pela MP nº 579 de 2012, que tratou da renovação de contratos de concessão, a Eletrobras chegou a ter um valor de mercado de R$ 8,5 bilhões em 2014, contra um patrimônio na época de R$ 56,6 bilhões.