Eletrobras corta custos e busca investir mais em energia renovável após a privatização

Desde que foi privatizada em junho, a Eletrobras vem dando seus primeiros passos em cortes de custos, renegociação de passivos e saída de sociedades ineficientes. O plano vem sendo liderado por Wilson Ferreira Júnior, que voltou em setembro ao comando da maior companhia do setor de energia elétrica da América Latina, responsável por 23% da capacidade instalada de geração do Brasil e por 39% das linhas de transmissão, com cerca de 68,7 mil quilômetros de extensão.

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Ferreira Júnior já havia sido presidente da Eletrobras entre julho de 2016 e março de 2021, quando foi para o comando da Vibra (ex-BR Distribuidora). Atualmente, está desenvolvendo um novo plano estratégico para a empresa, em discussão com o Conselho de Administração. A ideia é apresentar as novas metas no primeiro trimestre de 2023 ao mercado.

Hoje, a Eletrobras comanda quatro subsidiárias e tem participação direta e indireta em 75 Sociedades de Propósito Específico (SPE). A estratégia é se desfazer de parte delas. Há um potencial de venda e arrecadação de cerca de R$ 4,4 bilhões, de acordo com estimativas do mercado.

Outra inciativa em estudo é acelerar o investimento em energias renováveis, o que ele já vinha estimulando na Vibra, com ações em energia solar e eletrificação.

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Recentemente, a Eletrobras assinou com a Shell acordo de cooperação técnica para troca de informações para um possível investimento no desenvolvimento e na operação de projetos de energia eólica offshore no Brasil. A ideia é investir na diversificação da matriz de geração. Para isso, criou um escritório de transformação para acompanhar de forma centralizada as iniciativas relacionadas à transformação da Eletrobras no momento pós-capitalização.

Umas das primeiras medidas conduzidas por Ferreira Júnior foi a criação em novembro de novo Plano de Demissão Voluntária (PDV), com 2.312 empregados elegíveis, o primeiro desde a capitalização da companhia. Mais de 50% já aderiram.

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Com custo estimado em R$ 1 bilhão, o plano será simultaneamente implantado na holding e em subsidiárias, como Eletrosul, Chesf, Eletronorte e Furnas. O objetivo é atrair funcionários já aposentados ou que estejam em vias de se aposentar até 30 de abril de 2023.