Eletrobras finaliza processo de capitalização: ação fica em R$ 42, e privatização está selada

A Eletrobras finalizou o processo de capitalização nesta quinta-feira (dia 9) e, com isso, estará privatizada. O procedimento de bookbuilding (coleta de intenções de investimento para formar o preço) se encerrou e o preço por ação foi fixado em R$ 42, de acordo com fontes ligadas à operação. O pontapé inicial da empresa privatizada será a negociação das ações a partir de segunda-feira na B3.

Com o preço das ações nessa faixa, a privatização da maior empresa de energia da América Latina movimentou cerca de R$ 33,7 bilhões, considerando inclusive o lote suplementar. Houve uma forte disputa para fechar o preço por ação, que acabou estabelecido em R$ 42.

A venda da maior empresa de energia da América Latina foi a maior privatização já realizada por meio da Bolsa no Brasil. Além de ter sido a segunda maior oferta de ações do mundo neste ano, a venda da Eletrobras também foi a maior operação na B3 desde a megacapitalização da Petrobras, em 2012, que movimentou US$ 70 bilhões.

Mesmo ainda tendo maioria, a União perde o controle da empresa por conta do modelo de privatização. Para evitar que algum ente público ou privado tenha poder de controle sobre a Eletrobras, a lei que trata da privatização diz que nenhum acionista ou grupo de acionistas terá direito a mais de 10% dos votos.

Dessa forma, a Eletrobras se torna uma corporação sem controlador definido, seguindo modelo de outras grandes empresas do setor elétrico ao redor do mundo.

No total, o governo calculou em R$ 67 bilhões os valores relacionados à privatização ao longo de dez anos, mas nem tudo vai para os cofres públicos. Desse valor, R$ 25,3 bilhões serão pagos pela Eletrobras privada ao Tesouro neste ano pelas outorgas das usinas hidrelétricas que terão os seus contratos alterados.

A Eletrobras ainda irá aportar o restante, por volta de R$ 8 bilhões, ao longo de uma década para bancar a revitalização de bacias hidrográficas do Rio São Francisco, de rios de Minas Gerais e de Goiás, e para a geração de energia limpa na Amazônia.

A venda da Eletrobras é um marco para a gestão de Guedes e servirá para que Bolsonaro tenha uma grande privatização para mostrar na campanha, já que o tema era uma de suas promessas de campanha.

Além disso, o programa de concessões tem avançado. O Ministério da Economia pretende leiloar até o final de 2022 um total de 90 ativos, com previsão de contratação de R$ 190 bilhões em investimentos. O mais aguardado, depois da capitalização da Eletrobras, é o da concessão de mais 15 aeroportos, incluindo o de Congonhas, cujo leilão foi marcado para o dia 18 de agosto.

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