Eletrobras: Por que o mercado aposta na valorização das ações da empresa recém-privatizada

A Eletrobras voltou a atrair o interesse de investidores e gestores de fundos, que projetam valorização da companhia superior a 50%. Há quem arrisque até a apontar um "futuro brilhante" após a privatização, no mês passado.

O banco Credit Suisse emitiu recomendação de compra dos papéis, vendo o preço-alvo das ações preferenciais em R$ 71 e das ordinárias em R$ 67, o que representa um cenário de médio prazo promissor.

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Ontem, a ação ELET3 encerrou as negociações cotado a R$ 42,89, após alta de 1,51%, enquanto a ELET6 subiu 1,77% e foi a R$ 44,19.

Os analistas Carolina Carneiro e Rafael Nagano, do Credit Suisse, acreditam num ganho de eficiência após o processo de privatização, com redução de custos, nova estrutura patrimonial e pagamento de dividendos em níveis razoáveis, no que poderia culminar em uma taxa interna de retorno real de 13%.

A equipe do banco ainda diz que a Eletrobras pode assumir papel de destaque, inclusive em geração renovável offshore (eólica no mar) e hidrogênio verde, por ter dominância de mercado e um portfólio único.

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A empresa também ganhou status de preferida no setor de energia entre analistas do J.P Morgan, que apostam numa alta dos papéis até o patamar de R$ 64. Além de liquidez e princípios ESG (sigla em inglês para políticas ambientais, sociais e de governança) bem instalados, o banco avalia que as ações ainda estão baratas.

O BTG tem o preço-alvo ancorado em R$ 62, a partir da implementação de uma gestão mais eficiente, como a de outras companhias privadas do mesmo segmento. Segundo os analistas do banco, a recuperação da empresa pode vir acompanhada de um aumento significativo no fluxo de caixa e da distribuição de dividendos robustos.

Na última semana, em videoconferência com investidores, a gestora carioca Leblon Equities revelou que montou posição importante em Eletrobras na oferta de ações ocorrida no mês passado, que equivale a 5% do fundo Leblon Ações I.

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O analista Lucas Lobo disse que "a redução da defasagem de eficiência operacional da estatal em relação a pares privados é a principal alavanca de geração de valor para companhia".

Analistas ouvidos pelo GLOBO enxergam que as trocas de comando e governança têm se alinhado às perspectivas de lucro e eficiência do negócio. Por isso, dizem que o ativo é uma boa opção de investimento neste período de grande volatilidade na Bolsa brasileira e sugerem uma valorização expressiva no médio prazo.

Por que as ações de Eletrobras estão subindo? Estão baratas demais?

O analista da Top Gain Sidney Lima explica que os fundamentos relacionados a perspectivas futuras da empresa têm promovido maior interesse pelos papéis, já que os riscos de intervenção política parecem ter se afastado do negócio.

— Quem comprou as ações utilizando o FGTS se deu bem, já que o valor de rentabilidade praticada pelo FGTS de 3% + TR foi batida em semana após a privatização — observa.

Vicente Koki, analista do setor de energia da Mirae Asset, opina que as ações estavam baratas no momento da capitalização e que continuam assim. Até o fim do ano, projeta ganho de 20% sobre os papéis.

— Já foi definida a data para fazer a votação do novo conselho. Isso é positivo. A partir daí, deve se estabelecer um novo plano estratégico para a companhia. Além disso, de forma geral, o setor elétrico é ótimo para esses momentos de volatilidade. São empresas fortes que têm rentabilidade, ao passo que outros setores sofrem muito, como o varejo — avalia.

O governo perdeu? Poderia ter vendido por um preço maior?

Não é bem assim. O maior interesse do governo era fazer a privatização para receber um aporte financeiro que poderia ser usado em outras necessidades do país. Para Gabriel Meira, sócio da Valor Investimentos, se um preço maior fosse cobrado, era possível não encontrar tanto apetite no mercado:

— Na hora da venda, em vez de estipular uma faixa de preço como costuma ser feito, estipularam um preço fixo. Tiveram fundos de investidores institucionais que acabaram saindo na etapa do bookbuilding (processo utilizado para definir um preço justo para a oferta das ações).

E acrescenta:

— A empresa tem um potencial de valorização muito grande, principalmente após o período eleitoral. A tese é simples e o mercado comprou muito bem. A privatização pode reduzir custos, aumentar a margem de lucro e, como o market share (participação no mercado) é muito grande, isso gera mais receita e aumenta o lucro.

Todos os analistas acreditam numa valorização de médio prazo da companhia, o que abre espaço para investidores ainda interessados em ganhar com esse papel. No entanto, trata-se de um investimento de risco, como qualquer outro em ações de empresas. Fatores que não estão no radar no momento podem prejudicar o desempenho e o valor de mercado da companhia.

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