Elisa Gudin lança single com reflexões pandêmicas, enquanto planeja primeiro álbum

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A voz afinada e suave de Elisa Gudin é como um espelho de sua personalidade. Filha do celebrado sambista paulistano Eduardo Gudin e afilhada do compositor carioca Paulo César Pinheiro, a cantora adentra o universo musical com um passo de cada vez, sem qualquer traço de ansiedade. Depois de lançar o seu primeiro EP “O melhor carinho”, em 2019, a moça, de 32 anos, trocou São Paulo pelo Rio e se preparava para fazer os primeiros shows, quando precisou interromper os planos por causa da pandemia. Apesar frustração, não se resignou. “Respeito este momento. Se não estou conseguindo fazer agora, uma hora vai”, vislumbra.

A frase, contudo, não deve ser levada ao pé da letra. Elisa acaba de derramar nas plataformas de streaming o clipe de “Saudade do mar”, single com letra e melodia do compositor carioca Bernardo Diniz. A música tem versos como “ai que vontade / do tempo passar / pois nunca é tarde / pra rever o mar”, numa tradução poética de alguns dos sentimentos mais latentes nestes meses pandêmicos. “O Bernardo postou a música no Instagram e, quando escutei, percebi que expressava tudo o que estava sentindo. Aquilo me deu um estalo e pensei: ‘É isso que vou conseguir fazer agora’”, diz, sobre a decisão de gravá-la.

Criada no meio de bambas, foi somente nos últimos anos que Elisa assumiu a música como ofício. Antes disso, fez faculdade de Dança e, depois, de Publicidade, até que começou a fazer aulas de canto na hora do almoço, enquanto trabalhava na TV Gazeta, em São Paulo. “Canto desde os 5 anos, mas isso nunca se deu de uma maneira pensada”, conta. “Comecei a sentir o meu espaço dentro disso e pude deixar um pouco de ser a filha do Gundin. Então, as coisas foram acontecendo naturalmente.”

O EP de estreia mergulha no choro ao celebrar Elton Medeiros, que morreu poucos meses depois do lançamento do trabalho. “Foi algo que mexeu comigo e deixou a coisa maior do que eu esperava”, conta. Agora, Elisa está em busca de uma solução financeira para transformar o projeto num álbum completo, com direito a formato físico, como um LP. Estamos, então, diante de uma nova cantora de samba? “Minha vivência vem do samba e do choro, mas me vejo mais como uma cantora de música popular brasileira. Como o meu primeiro trabalho teve muito do ritmo e sou filha de sambista, me colocaram nesse lugar. Mas sei que cantar samba não é para qualquer um”, pondera.

Seja como for, ela não está disposta a ganhar espaço sozinha. Acostumada a ver os homens dominarem as rodas de samba, torce por um ambiente mais plural e afirma que isso passa pela sua própria produção musical. “Às vezes, quando vamos fazer um trabalho, acabamos chamando só músicos homens. Precisamos lembrar que há muitas mulheres talentosas, mas falta espaço para elas. Encontrá-las pode ser cansativo, mas é necessário”, diz.

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