Elizabeth 2ª concedeu perdão ao inventor do computador, punido por ser gay

Nos dias atuais, uma imagem de Allan Turing, matemático perdoado pela rainha Elizabeth 2ª, estampa notas de libras. (Foto: Getty Images)
Nos dias atuais, uma imagem de Allan Turing, matemático perdoado pela rainha Elizabeth 2ª, estampa notas de libras. (Foto: Getty Images)
  • Allan Turing atuou na Segunda Guerra Mundial decodificando códigos nazistas

  • Método criado por ele permitiu criação do computador

  • Perdão de Elizabeth 2ª, no entanto, só veio em 2013

A rainha Elizabeth II, que faleceu nesta quinta-feira (8), concedeu três perdões reais ao longo de sua vida. O perdão real é capaz de comutar sentenças de pessoas condenadas no Reino Unido e é um dos poucos poderes concretos de um monarca.

Dois desses perdões foram concedidos a detentos no País de Gales. Eles tiveram a pena diminuída depois de salvarem um funcionário da penitenciária atacado por um javali.

O terceiro perdão foi concedido a Allan Turing, inventor da máquina que deu origem ao computador. Aos 23 anos, ele criou o modelo teórico que permitiu, no futuro, a criação de tecnologias como o smartphone. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou no núcleo que quebrava códigos de comunicação de inimigos, o Bletchley Park.

O sistema criado por Turing permitiu que a inteligência britânica quebrasse Enigma, máquina nazista que permitia enviar mensagens codificadas e embaralhadas.

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A condenação de Turing ocorreu porque, em 1952, sua casa foi assaltada e, quando um policial foi até o local para tomar seu depoimento, reparou que havia um rapaz jovem na residência, que o cientista apresentou como seu namorado. Naquela época, era crime ser homossexual no Reino Unido.

Turing precisou optar por uma pena alternativa, que era um tratamento hormonal, que afetou seu corpo e o deixou deprimido. Em 1954, ele se matou em sua casa, ano em que Elizabeth II já era rainha. O perdão a Turing, no entanto, demorou: só veio em 2013.