Elizabeth Warren desiste de disputa democrata pela Casa Branca

Elizabeth Warren anuncia em Massachusetts o fim de sua campanha à presidência

A pré-candidata democrata à Casa Branca Elizabeth Warren, que chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto, anunciou nesta quinta-feira (5) o fim de sua campanha, sem anunciar o apoio a nenhum dos principais concorrentes, Joe Biden e Bernie Sanders.

Warren, senadora progressista de 70 anos de Massachusetts, ao comunicar a decisão a sua equipe após os resultados decepcionantes das primárias partidárias.

"Não serei candidata à Presidência em 2020", disse à imprensa em frente a sua casa em Cambridge, Massachusetts, no mesmo lugar onde lançou em dezembro de 2018 sua campanha.

"Mas garanto que continuarei na luta pelo povo trabalhador em todo o país", prometeu, ao lado de seu marido, Bruce Mann, e seu famoso cão Bailey. "Essa foi a luta de minha vida, e continuará sendo".

Mas Warren não cedeu à pressão de dizer se vai apoiar Sanders, senador que se define como "socialista democrático", de 78 anos, cujas ideias são mais radicais que as dela, ou Biden, de 77 anos, que representa o "establishment" do Partido Democrata.

"Hoje, não", disse Warren quando questionada se estava pronta para apoiar algum deles. "Respiramos fundo e vamos dar um pouco de tempo para isso. Não temos que decidir neste momento", acrescentou.

Biden assumiu o comando da corrida das primárias nesta quarta-feira, após grandes vitórias cruciais na "Superterça", e recebeu o apoio de três ex-rivais: Pete Buttigieg, Amy Klobuchar, que renunciaram na segunda-feira, e Beto O'Rourke, que já tinha deixado a corrida em novembro.

Sanders, que iniciou com força as internas partidárias e deve vencer na populosa Califórnia, não reagiu imediatamente. Mas na quarta-feira disse em entrevista coletiva que havia conversado com Warren.

"Eu acho que é importante respeitar o tempo que ela precisa", disse o senador de Vermont, que compete pela indicação presidencial democrata, depois de perder em 2016 com Hillary Clinton.

Sanders elogiou Warren por sua campanha "extraordinária" em defesa dos ricos, pagando mais impostos, garantindo educação universal e cobertura de saúde e garantindo as mudanças climáticas e os direitos das mulheres.

A decisão de Warren de abandonar a corrida foi anunciada um dia depois da do bilionário ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, que desistiu após decepcionantes resultados na "Superterça". Bloomberg deu seu apoio a Biden.

Fiel ao seu estilo, Trump opinou sobre a saída de Warren com um tuíte ironizando ela e Bloomberg - principal alvo de ataques da senadora nos recentes debates televisionados.

"Elizabeth 'Pocahontas' Warren, que não ia a lugar nenhum, exceto contra Mini Mike, acabou de sair da Primária Democrática... TRÊS DIAS TARDE DEMAIS", escreveu o presidente.

"Ela tirou do Bernie, o Louco, pelo menos, Massachusetts, Minnesota e Texas", disse o presidente sobre os estados disputados na "Superterça". "Provavelmente, tirou a indicação (de Sanders)! Ele ficou em terceiro lugar em Massachusetts", acrescentou.

Segundo o "Times", Warren não pretende anunciar o endosso a nenhum dos dois.

Sanders disse ontem à imprensa que conversou com Warren.

A outra mulher na corrida pela indicação democrata é a representante pelo Havaí Tulsi Gabbard, de 38 anos, em último lugar e sem qualquer chance de deslanchar.