ELN nega integrar acordo de cessar-fogo anunciado por Petro na Colômbia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A guerrilha ELN (Exército de Libertação Nacional) negou nesta terça-feira (3) integrar o acordo de cessar-fogo anunciado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na véspera do Ano-Novo.

Em comunicado, o ELN afirmou que sua delegação nas tratativas não debateu com o governo do esquerdista nenhuma proposta bilateral de cessar-fogo. O texto chama o acordo de medida unilateral e sugeriu não ter participado da mesa de diálogo.

No último ciclo de diálogo realizado na Venezuela e concluído em 12 de dezembro, acordou-se apenas a institucionalização da mesa [de conversas] e o início de ajustes em uma agenda a ser levada a consultas --tanto do presidente, quanto do Comando Central [do ELN]."

No texto, o grupo diz que somente aceitará discutir um possível cessar-fogo após finalizados os termos da negociação, o que deve ocorrer no México, país que sediará a próxima etapa das conversas.

No Twitter, Petro afirmou no último domingo (1º) que o acordo de seis meses englobava os cinco principais grupos armados do país -além do ELN, a Segunda Marquetalia, o Estado Maior Central, as Autodefesas Unidas da Colômbia e as Autodefesas de Serra Nevada.

O líder, que é ex-guerrilheiro, prometeu acabar com o conflito civil na nação andina, que já dura quase seis décadas e deixou pelo menos 450 mil mortos entre 1985 e 2018.

Segundo o jornal local El Tiempo, após o anúncio do ELN, Petro convocou uma reunião extraordinária com os ministérios do Interior e da Defesa e o Alto Comissariado para a Paz. Entre as medidas a serem debatidas, estaria a retomada de operações militares contra o ELN.

No início de dezembro, a guerrilha declarou uma trégua unilateral de nove dias durante o período de Natal, de 24 daquele mês até a última segunda-feira (2).

Em recente entrevista à Folha em Brasília, onde esteve para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Petro descreveu o acordo como audaz. Ele lembrou que já fez convites para países como Chile, Noruega, México e Cuba integrarem mesas de diálogo com os grupos armados e reforçou que o Brasil também será chamado para participar.