Em áudio, juíza assassinada relata que ex-marido a extorquia: 'Eu morro de medo dele'

Vera Araújo e Rafael Soares
·2 minuto de leitura

Poucos meses antes de ser assassinada pelo ex-marido, o engenheiro Paulo José Arronenzi, a juíza Viviane Vieira do Amaral deu detalhes sobre o relacionamento abusivo que vivia em mensagens enviadas a uma amiga. Nos áudios, obtidos pelo Globo, ela também relata que Paulo José passou a extorquir dinheiro dela após o rompimento, pedindo que ela fizesse depósitos em sua conta. Na véspera de Natal, o engenheiro matou Viviane a facadas na frente das três filhas do casal.

"Eu morro de medo dele, sempre fiquei pianinho com medo das alterações dele, dos desvios de comportamento, das violências que ele fazia", diz a mulher num dos áudios. As mensagens foram entregues à Delegacia de Homicídios (DH) por parentes da juíza e integram o inquérito contra Paulo José.

Leia também

Viviane também relata que decidiu se separar após um episódio em que o ex-marido jogou um copo no chão ao brigar com uma das filhas e um pedaço de caco de vidro cortou a menina. "Eu estava tentando refazer o meu castelo de areia, mas quando ele machucou a minha filha, chegou ao limite", contou a juíza.

Em outro trecho, ela também conto que, depois da separação, Paulo José a pressionava para que ela desse dinheiro a ele. "Eu achava que depois do divórcio, se eu desse tudo do jeito que ele tava querendo, tudo ia acabar. Mas não, piorou. Depois que ele entregou a chave (do apartamento que o casal alugava na Gávea, antes da separação), depois que eu vi aquilo tudo, ele fica me acharcando. Já fiz vários depósitos pra ele. Fica me pedindo dinheiro disso, daquilo. Quando eu vi, já tinha depositado pra ele mais do que ele me deu de pensão esse mês", contou a juíza. O ex-marido estava desempregado há seis anos.

Nesta quarta-feira, o engenheiro foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça pelo assassinato de sua ex-mulher. De acordo com a denúncia, o crime foi motivado pelo inconformismo do acusado com o término do relacionamento, especialmente pelas consequências financeiras do fim do casamento na vida do engenheiro, que está preso em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio.