Em 'Éramos seis', Nicette Bruno fala de participação, elogia Gloria Pires e final feliz para Lola

Leonardo Ribeiro

Nicette Bruno perdeu as contas das vezes em que se emocionou ao ver "Éramos seis". E não está entrando agora nesse cálculo a versão que protagonizou, em 1977, e sim a que está sendo exibida pela Rede Globo (e termina nesta sexta, dia 27).

— Tiveram tantas ocasiões que eu chorei (risos). Mas a despedida do Alfredo (Nicollas Prates) com a Lola (Gloria Pires) me tocou profundamente. Os dois estavam maravilhosamente bem em cena e senti a dor da separação sentida por aquela mãe. A Lola é um personagem que deixa saudade, deixa emoção e a gente não esquece dela nunca mais — diz Nicette, que não cansa de tecer elogios à Gloria Pires: — Gloria fez este papel lindamente, como tudo o que ela faz. Fiquei muito contente, porque eu, realmente, tenho um carinho grande por esta personagem.

Por isso, a atriz não escondeu também a felicidade ao ser convidada para fazer uma participação como Madre Joana, a freira que recebe Lola em uma casa de repouso em São Paulo. As cenas foram gravadas um dia antes dos Estúdios Globo paralisarem os sets como medida de precaução contra o coronavírus.

— Gravamos no primeiro dia que já sabíamos que tudo iria parar no dia seguinte. Foi um momento de impacto, pelo o que estamos vivendo, mas tudo desanuviou justamente pelo fato de estarmos juntas (Irene Ravache, que fez a Lola na versão da novela de 1994, também participou das cenas finais). Foi uma participação afetiva e é uma despedida bonita da novela. Não foi com festa, como queríamos, mas foi representando a amizade e a admiração que todos sentíamos uns pelos outros — avalia a atriz, de 87 anos.

A festa a que Nicette se refere é o casamento de Lola e Afonso (Cássio Gabus Mendes), um final diferente do livro de Maria José Dupré, de 1943, em que a matriarca da família Lemos termina em um asilo.