Em último programa eleitoral, Lula foca na união de forças e Bolsonaro aposta no conservadorismo

Apoiadores de Lula e Bolsonaro em Brasília

BRASÍLIA (Reuters) - Os dois candidatos que disputam a Presidência da República fecharam a propaganda eleitoral na televisão, nesta sexta-feira, com programas que tentaram angariar a simpatia dos últimos eleitores que ainda não se decidiram para a votação de domingo.

Líder nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou qualquer ataque ao adversário e apostou em mensagens de paz e união, alegando ter unido as mais variadas vertentes políticas em torno de sua candidatura.

Ao trazer depoimentos de apoios conquistados ao longo da campanha --como a ex-presidenciável Simone Tebet (MDB) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)-- para demonstrar a "união acima das diferenças", a propaganda eleitoral afirmou que a candidatura tem "lugar para todos os democratas".

"Não estou sozinho. Reunimos gente de vários partidos e gente sem nenhum partido", disse Lula.

A peça também trouxe um compilado das principais ideia de Lula para um eventual governo, tendo como prioridades o combate à fome, condições de moradia, os sistemas de saúde e de educação, e a valorização do salário mínimo.

A campanha do PT também aproveitou a última veiculação em cadeia de TV para pedir que os eleitores compareçam as urnas. Eventuais altas taxas de abstenção são encaradas como possíveis fatores que poderiam prejudicar o petista.

O programa do candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) teve a chance de veicular um direito de resposta logo no início do programa de Lula, por determinação da Justiça Eleitoral, a partir de associações indevidas entre ele e organizações criminosas.

O direito de resposta apresentou um vídeo com elogios da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, ao presidente, à medida que a campanha à reeleição tem se esforçado para reduzir a rejeição do eleitorado feminino ao presidente.

Depois, o presidente usou o último programa para reforçar discurso que vem adotando sobre defesa da liberdade, e, ao reafirmar sua fé e valores como a família, mirou na adesão do público mais conservador e religioso à sua candidatura.

Bolsonaro também convidou os eleitores a votarem, recomendando que vistam roupas nas cores da bandeira brasileira, o verde e o amarelo.

A campanha à reeleição também aproveitou para reafirmar seu compromisso de reajustar o salário mínimo e aposentadoria, por contar com o apoio do Congresso. Recentemente, relatos na imprensa têm dado conta de que Bolsonaro deve adotar medidas duras, como o não reajuste do salário mínimo pela inflação e cortes em programas como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), em caso de reeleição.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)