Em 1º dia de megarrodízio, SP registra trânsito sem congestionamentos

SÃO PAULO, SP, 06.05.2020 - Trânsito na avenida do Estado, no cruzamento com a Santos Dumont. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nesta segunda-feira (11), primeiro dia do megarrodízio de carros em vigor, a cidade de São Paulo não teve congestionamentos significativos.

O novo rodízio —mais amplo e restritivo—, é a nova tentativa da gestão Covas (PSDB) para elevar os índices de isolamento social da cidade, hoje no epicentro da pandemia do novo coronavírus.

Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a medida causou impacto na redução de veículos nas vias, com registro de apenas 1km de congestionamento e 4 kms de lentidão por volta das 8h.

Nas demais faixas de horário não houve congestionamentos.

Situação bem diferente, diz a CET, da segunda-feira passada (4), que acumulou 11 kms de filas de carros e 21 kms de lentidão na faixa horária entre 8h e 9h.

Mas Edson Caram, secretário de Mobilidade e Transportes da gestão Covas (PSDB), vê que a redução do volume de veículos em circulação na cidade ainda não atingiu o ideal.

"A princípio, dá pra notar que há uma diminuição no volume de carros andando na cidade de São Paulo. Ainda não é o esperado, a população ainda está se deslocando de uma forma além daquilo que nós queremos", disse em entrevista à TV Globo.

A reportagem percorreu vários pontos da cidade, como a avenida Alcântara Machado, no Tatuapé (zona leste) e viu muitos carros em circulação no início da tarde desta segunda.

O megarrodízio é válido para todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos, durante as 24 horas do dia, e as restrições para a circulação de veículos abrangem toda a cidade, não apenas o centro expandido como na regra anterior.

A única exceção ocorrerá no dia 31, um domingo, quando o rodízio não será aplicado. Nos dias pares, podem circular os veículos com final das placas pares (0, 2, 4, 6, e 8).

Já nos dias ímpares, como nesta segunda-feira, trafegam veículos com final das placas ímpares (1, 3, 5, 7, e 9). De acordo com a prefeitura, o novo sistema de rodízio aumenta a restrição da circulação de carros de 20% para 50%, segundo a prefeitura.

Se nas ruas, os índices apontam queda na circulação de carros, o sistema público de transporte recebeu significativa parcela de passageiros, que lotaram trens do Metrô e da CPTM, além de ônibus.

No Metrô, o número de passageiros registrou elevação de 11%, na linha 5-lilas; 12%, nas linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha, e 14% na linha 4-amarela. Na CPTM, a alta de procura pelo transporte foi de 15%.

Os índices são preliminares e correspondem a alguns horários da faixa de pico da manhã desta segunda, entre 5h e 8h, de acordo com a secretaria de Transporte Metropolitano da gestão Doria (PSDB).

A reportagem procurou a SPTrans para saber se houve aumento no volume de passageiros nos ônibus coletivos nesta segunda, mas a companhia informou que o dado só estará disponível nesta terça-feira (12).

A prefeitura colocou 1.000 ônibus a mais nas ruas da capital e utilizou 489 dos 600 veículos disponíveis em bolsões, localizados em pontos estratégicos da cidade, com o intuito de atender as regiões que precisaram de reforço.

Estão de fora do novo rodízio, veículos particulares de servidores da segurança pública, funcionários do serviço funerário, profissionais da imprensa e fiscais, além dos profissionais de saúde e de imprensa, entre outros.

No seu primeiro dia de implantação, o megarrodízio parou na Justiça. Segundo revelou o jornal de Folha de S.Paulo, a Associação Comercial de São Paulo ingressou com um pedido de liminar para suspender a medida.

A entidade considera a nova restrição de circulação de veículos abusiva e prejudicial a milhares de empresas que estão tentando sobreviver, recorrendo à criatividade, “por meio de entregas a domicílio (delivery próprio ou terceirizado) ou através de carro dirigido pelo próprio consumidor (drive thru)”.

A prefeitura não se manifestou no processo.

BLOQUEIO DE RUAS

Antes do novo rodízio, a administração do prefeito Bruno Covas (PSDB) tentou segurar o paulistano em casa por meio de bloqueios em vias da cidade.

Os bloqueios causaram efeito contrário, com congestionamentos, inclusive, de ambulâncias.

No dia 4 deste mês, as interdições provocaram 11 km de congestionamento na faixa de horário entre 8h e 9h, segundo a CET.

Com os problemas gerados no trânsito e insuficiente para reduzir os índices de isolamento social contra o novo coronavírus, os bloqueios de ruas e avenidas foram suspensos.