Em 2015, Lava Jato comemorava: 'Aha uhu, o Fachin é nosso'; em 2021, ministro anula condenações de Lula

João de Mari
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Rodrigo Félix Leal/Futura Press
Agora, os processos serão analisados pela Justiça Federal do Distrito Federal. O órgão será responsável por decidir se os atos já realizado nos três processos podem ser reaproveitados ou validados (Foto: Rodrigo Félix Leal/Futura Press)

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta segunda-feira (8) todas as condenações do ex-presidente Lula (PT) na Justiça Federal do Paraná, que diziam respeito à Operação Lava Jato. Com a decisão, Lula volta a ser elegível. 

A decisão do ministro, no entanto, é diferente do que sugeriu um diálogo de 2015 onde o procurador Deltan Dallagnol, então coordenador da força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) no âmbito da operação Lava Jato, chegou a comemorar um encontro com Fachin devido ao "teor da conversa".

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"Caros, conversei 45 minutos com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso, celebrou Deltan em mensagens via Telegram reveladas em julho de 2019, pela revista Veja em parceria com o The Intercept Brasil, no que ficou conhecido como "Vaza-Jato". 

À época, outro ponto festejado por Dallagnol, desta vez em um diálogo com o então juiz Sérgio Moro, foi a proximidade da denúncia contra o ex-presidente Lula. Nas mensagens obtidas, Dallagnol escreve ao ex-juiz para contar que a denúncia de Lula seria protocolada em breve. 

Moro responde com um emoticon de felicidade, ao lado da frase: “um bom dia afinal”. A troca de mensagens teria acontecido no dia 14 de dezembro de 2016 e apontavam que o ex-ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) orientou procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato a incluir provas na peça de acusação elaborada pelo MPF.

Lula elegível

Nesta segunda-feira (8), porém, Fachin entendeu que a Justiça Federal do Paraná é considerada incompetente para julgar os casos que envolvem o tríplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e também do Instituto Lula. Segundo Fachin, a 13ª Vara Federal de Curitiba não seria "juiz natural" dos processos.

Agora, os processos serão analisados pela Justiça Federal do Distrito Federal. O órgão será responsável por decidir se os atos já realizado nos três processos podem ser reaproveitados ou validados.

Em um levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Lula aparece à frente de Bolsonaro em potencial de votos para a eleição de 2022. No levantamento, realizado pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), 50% dos entrevistados disseram que votariam com certeza ou poderiam votar em Lula se ele se candidatasse novamente à Presidência, e 44% afirmaram que não o escolheriam de jeito nenhum.