Em 2021, cerca de 2,5 milhões de cidadãos do Rio perderam o direito ao auxílio emergencial

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Dados da organização Rede Brasileira de Renda Básica apontam que 2,5 milhões de cidadãos do Estado do Rio — contemplados com auxílio emergencial do governo federal em 2020 — deixaram de receber o benefício neste ano. No ano passado, 5.691.771 pessoas receberam R$ 600 (ou R$ 1.200, para mães chefes de família). Quando o governo pagou a extensão de R$ 300 (entre setembro e dezembro), o total de contemplados caiu para 4.840.944 fluminenses. Agora, somente 2.198.771 cidadãos do Rio vão receber o pagamento de 2021 (previsão de quatro parcelas entre R$ 150 e R$ 375, pagas de abril a julho).

Em todo o país, 68,2 milhões receberam o valor de R$ 600 ou R$ 1.200, entre abril e agosto de 2020. À época do pagamento da extensão de R$ 300 (ou R$ 600 para mães chefes de família), foram contemplados 56,8 milhões de brasileiros. Em 2021, este total caiu para 39,1 milhões pessoas. Os daoos são baseados em informações do Ministério da Cidadania.

Isso quer dizer que 29,1 milhões de trabalhadores perderam o direito ao pagamento, quase a metade dos que receberam em 2020 (43%). A redução se deve ao fato de que houve mudanças nos critérios de concessão.

Segundo o Ministério da Cidadania, neste ano, por exemplo, não é permitido que duas pessoas da mesma família recebam o benefício, o que era possível em 2020. Confira os regras para fazer jus ao pagamento neste ano.

— É muito cruel, neste momento de agravamento da pandemia, no qual as pessoas precisam ficar em casa para preservar a saúde, deixar de prestar socorro aos mais vulneráveis — diz Paola Carvalho, diretora de Relações Institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica.

A entidade é uma das 300 organizações que participam da campanha em defesa da renda básica até o fim da pandemia.

— Não temos vacina em quantidade suficiente e temos pesquisas que mostram o agravamento da fome no país. E o que o governo faz? Reduz a base de beneficiários, quando sabemos que não está cortando ‘gordura’, mas tirando quem mais precisa de proteção social neste momento — completa Paola.

O valor do auxílio emergencial 2021 (o mínimo, para pessoas que moram sozinhas, passou a ser de R$ 150) não é suficiente para comprar sequer 25% da cesta básica. Segundo especialistas, o corte terá efeitos sobre a economia, especialmente sobre o comércio, que luta para sobreviver diante de sucessivas restrições de funcionamento.

Injeção de dinheiro na economia

No ano passado, o auxílio emergencial ajudou a injetar R$ 294 bilhões, creditados para mais de mais de 68,2 milhões de pessoas que receberam ao menos uma parcela. Pesquisas indicam que 53% desse total foram destinados à compra de mantimentos.

Com o fim do benefício, em dezembro do ano passado, quase 27 milhões de pessoas voltaram à extrema pobreza no país, sem conseguir garantir o sustento de suas famílias. Agora, sem emprego e sem o auxílio, Paola teme que mais pessoas atravessem a linha da miséria, pois ainda não há emprego nem perspectivas de melhora do mercado de trabalho a médio prazo.

Atualmente, o Brasil convive com o recorde de mais de 14 milhões de desempregados e passa de 436 mil mortos pela Covid-19.

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