Em almoço, Planalto tenta mobilizar governadores pela reforma da Previdência

Marcelo Brandão, Pedro Peduzzi e Yara Aquino - Repórteres da Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente Michel Temer e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, participam de reunião com governadoresJosé Cruz/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, recebeu governadores e deputados para um almoço em sua residência oficial hoje (25). O encontro contou com a presença de ministros e do presidente da República, Michel Temer, em mais uma movimentaçãodo governo para ganhar força e garantir a aprovação da reforma da Previdência na Câmara.

No almoço, os 18 governadores presentes ouviram do governo federal um relato sobre o texto da reforma e como as negociações chegaram à versão final apresentada pelo relator Arthur Maia (PPS-BA). A ideia é contar com a simpatia dos mandatários estaduais na aprovação da reforma, prevista para ir à plenário na segunda semana de maio. Na saída do almoço, Maia disse que o clima está “positivo” entre os governadores para a aprovação do relatório.

“A minha opinião é que [está] um clima muito positivo da aprovação da reforma. Todos estão sofrendo com a questão da Previdência nos seus estados. Todos sabem, não apenas os que estão na base [do governo], que a questão da Previdência precisa ter uma solução”.

Maia disse que os governadores podem ajudar a convencer deputados de seus estados ainda indecisos sobre a aprovação da matéria. “Os governadores têm influência sobre parte da base. Um governador do Norte disse que tem influência sobre sete dos oito deputados no estado. Mas não posso falar pelos outros governadores. O que precisamos nessa reforma é garantir uma sinalização forte para que, com a aprovação da reforma da Previdência o crescimento do endividamento não saia de controle".

Um dos governadores presentes foi o de Goiás, Marconi Perillo. Na saída do almoço, ele conversou com a imprensa e disse que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falou sobre as perspectivas positivas da economia no próximo ano caso a reforma da Previdência seja aprovada. “Nos passou uma mensagem otimista, mas condicionando a retomada do crescimento econômico do país e, consequentemente, a geração de empregos, à aprovação da reforma da Previdência, que nós consideramos fundamental”.

O governador de Goiás disse que “é hora dos políticos deixarem o populismo de lado” e pensarem nas reformas necessárias para trazer estabilidade econômica para o país. “Um dado muito importante foi trazido pelo relator: 55% de tudo que se arrecada pelo governo federal hoje é gasto com Previdência. De tudo que se arrecada no país hoje, 45% é destinado a infraestrutura, educação, saúde, segurança e outras áreas; e 55% para a Previdência. Tem alguma cosia muito errada nisso”, concluiu.

PSB

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, do PSB, esteve no almoço. Ele criticou a decisão do partido de se opor ao texto da reforma da Previdência e defendeu o diálogo. Ainda na casa de Maia, Paulo Câmara se posicionou claramente a favor da reforma, indo na contramão da decisão do partido. “São reformas importantes. O Brasil precisa ter um conjunto de leis estáveis, que pensem não apenas no curto prazo, mas a médio e longo prazo. E as reformas vêm em boa hora, em um momento que o Brasil precisa realmente abrir os olhos pro futuro”.