Em alta no Botafogo, Jeffinho vê assédio crescer e aguarda valorização

Solução improvável no Botafogo, Jeffinho quer estar no mesmo nível dos reforços contratados na era John Textor. Titular pelo quarto jogo consecutivo diante do Ceará, hoje, 16h30, pelo Brasileiro, o atacante de 22 anos aguarda o clube procurá-lo para discutir uma valorização, após ser pinçado da equipe sub-23.

A indicação da diretoria alvinegra de que vai exercer a compra junto ao Resende, após o fim do empréstimo em novembro, por R$1,2 milhão, não é o suficiente para se proteger do assédio. Um projeto para tornar Jeffinho um ativo com atratividade junto ao mercado europeu corre em paralelo.

Segundo a reportagem apurou, há interessados não apenas de fora do país, mas também entre clubes brasileiros, com valores superiores em relação não só ao que o Botafogo pagaria na compra, mas também salário bem mais vantajoso.

O estafe do jogador passou as últimas semanas avaliando projetos internacionais, sobretudo em Portugal, e já passou tanto ao Resende quanto ao Botafogo que quer trabalhar o atleta na prateleira mais alta do futebol, com pretensões de Europa e Seleção.

Com um salário muito defasado, e por consequência uma multa rescisória baixa, Jeffinho aguarda o Botafogo exercer a compra para ter a situação contratual com o clube ajustada. Hoje, ele mesmo detém 25% de seus direitos, que lhe foram repassados como uma espécie de luva, no contrato vigente até junho de 2024.

Ao fim do empréstimo, o Botafogo compraria 60% junto ao Resende e poderia comprar também a parte de Jeffinho, que tem a carreira gerida pela MSB Sports. A partir daí, assinaria com o jogador um novo vínculo, sob novas bases, ainda assim aquém do que há de oferta sinalizada fora do país.

Há boa vontade do clube na permanência e nesta valorização, mas o técnico Luis Castro trata a evolução do atacante com cautela, e pretende trabalho de forma gradual.

Superação

Do lado de fora do campo, Jeffinho tem uma história de superação comum a muitos jogadores, mas com um detalhe: foi pai cedo, e precisou deixar o passado de dificuldade para trás para ascender no futebol. Há três anos, passou a ser agenciado por Alexandre Honório e Alberto Rodrigues, que fizeram de Jeffinho um piloto da empresa recém-chegada ao mercado.

Com foco na formação do cidadão, Jeffinho recebeu metas e teve que assumir responsabilidades antes mesmo das que o Botafogo apresentou. Após deixar a base por falta de dinheiro para passagem, Jeffinho jogou futsal até 18 anos, e em seguida foi para o sub-20 do Volta Redonda. Com a parceria do Lyon, da França, o Resende observou o atacante, e ele se destacou no Estadual com gols contra Botafogo e Flamengo.

No alvinegro, as chances vieram na lacuna das lesões de outros reforços. Mas foi o golaço diante do Athletico-PR, com direito a homenagem à filha, que fez Jeffinho saltar, literalmente, para outra dimensão.

— À minha filha Maria Eduarda. Só eu, Deus e a mãe dela sabemos o que a gente passou para eu chegar aqui — disse.

O desabafo lembrava a paternidade não planejada, em momento difícil, mas a preocupação por forjar primeiro um ser humano de bons valores, para depois o grande jogador vingar, já estava estabelecida por quem o cercava. Pois é no fogo mais alto que se forja os metais nobres e resistentes.

Em campo

Com Jeffinho no ataque, o Botafogo tentará, contra o Ceará, começar o segundo turno com tudo em casa depois de aproveitamento ruim na primeira parte do campeonato. Em nove partidas, foram cinco derrotas, um empate e apenas três vitórias — aproveitamento de 37%.

Para isso, o alvinegro deve ter a volta do zagueiro Víctor Cuesta, recuperado de fratura nos ossos da face, e do meia Carlos Eduardo, que ficou fora da partida o Corinthians por mal-estar e febres decorrentes de surto de virose gastrointestinal que infectou jogadores e profissionais da comissão técnica. Por outro lado, o lateral-esquerdo Fernando Marçal, que se destacou nos primeiros jogos com a camisa do clube, não deve jogar por problema médico.

Com 24 pontos, o Botafogo precisa vencer para se afastar da zona de rebaixamento. Caso contrário, o alvinegro pode ficar a um ponto de distância do Z4.

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