Em anúncio de pacote ambiental, Biden afirma que mudanças climáticas são 'ameaça existencial'

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O presidente americano Joe Biden anunciou uma série de medidas para enfrentar as mudanças climáticas, apontadas por ele como um “perigo claro e imediato” e uma “ameaça existencial” para o mundo. O plano prevê ações para amenizar os efeitos de eventos climáticos extremos, incrementar a geração de energia eólica e criar empregos no setor, considerado prioritário pela Casa Branca, mas que enfrenta dificuldades para ver ações concretas saírem do papel.

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Um dos pontos centrais das propostas desta quarta-feira é a expansão dos parques eólicos na região do Golfo do México — segundo Biden, essa iniciativa tem o potencial para gerar energia suficiente para três milhões de residências. O plano usará como base os parques eólicos existentes em áreas da Costa Leste e da região do Golfo da Flórida.

— Vamos garantir que o oceano esteja aberto para a energia limpa de nosso futuro — afirmou Biden. Hoje, a energia eólica é responsável por 9,2% de toda capacidade de geração de energia dos EUA, de acordo com a agência responsável pelo setor.

A questão climática foi ponto central da agenda de Biden em sua corrida para a Casa Branca, e marcou alguns dos seus primeiros movimentos no governo, como a decisão de recolocar os EUA no Acordo de Paris para o Clima, revertendo uma decisão de seu antecessor, Donald Trump.

Em abril de 2021, já no cargo, lançou as bases de sua política climática, com a promessa de redução de até 52% das emissões de gases do efeito estufa até 2030, em comparação com os níveis de 2030, e neutralizar as emissões no setor de geração de energia até 2035 — na economia como um todo, a neutralização estava prevista para 2050, seguindo as linhas previstas no Acordo de Paris.

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Para tal, a Casa Branca defende ações para incrementar a eficiência de veículos automotores, com novos combustíveis produzidos a partir de fontes renováveis, o investimento em frotas de carros elétricos e na ampliação da oferta de transporte de massa. A proposta também mencionava o potencial econômico dessa transição verde nos EUA, gerando “milhões de empregos” e renda ao país, além de criar novas tecnologias, que poderiam ser exportadas para outros países.

No discurso desta quarta-feira, Biden destacou a necessidade do maior emissor de gases do efeito estufa do mundo agir rapidamente, citando os impactos cada vez mais frequentes de eventos climáticos extremos sobre a população.

— [O aquecimento climático] é um perigo claro e imediato. A saúde de nossos cidadãos e comunidades está literalmente em jogo — afirmou, declarando que as mudanças do clima são uma “ameaça existencial” ao mundo. Mesmo assim, não declarou estado de emergência climática, como pediam alguns congressistas, citando a mortal onda de calor que atinge parte dos EUA e a Europa.

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O plano desta quarta-feira prevê cerca de US$ 2,3 bilhões em investimentos para ajudar as comunidades a se prepararem para esses eventos extremos, como enchentes, ondas de calor e furacões. Famílias de baixa renda receberão, pelos próximos meses, uma ajuda de custo para gastos com o ar-condicionado — ao todo, serão destinados US$ 385 milhões.

Pressão sobre o Congresso

Biden escolheu como cenário do discurso uma antiga usina a carvão no estado de Massachusetts, que foi transformada em uma unidade de produção de itens usados em parques eólicos. Segundo a Casa Branca, isso “representa como a liderança do presidente está acelerando a transição do país para longe da poluição, injustiça ambiental e volatilidade de preços do passado, e seguindo rumo a um futuro de empregos com bons salários e segurança energética”.

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Na fala, o presidente fez cobranças ao Congresso que, segundo ele, “não está fazendo sua parte nesta emergência”.

De fato, os planos da Casa Branca enfrentam algumas dificuldades no Legislativo em agosto do ano passado, Biden conseguiu inclui, dentro de um trilionário pacote de infraestrutura, medidas para ampliar a rede de abastecimento de veículos elétricos e para adaptação a catástrofes naturais.

Em dezembro, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) anunciou novas regras de emissões para veículos vendidos a partir de 2023, e alguns estados, como a Califórnia, esperam que todos os carros comercializados a partir de 2035 sejam elétricos.

Por outro lado, o pacote socioambiental do governo, conhecido como “Reconstruir Melhor” (“Build Back Better”), está praticamente morto no Senado, graças à oposição de um senador democrata, Joe Manchin, da Carolina do Norte, que se opõe a medidas para abandonar o carvão mineral, uma das bases da economia de seu estado.

A proposta continha pontos como o veto à exploração de petróleo na costa e volumosos créditos à geração de energias de fontes renováveis, como a eólica e a solar, e medidas para a redução de emissões. Com a objeção dos republicanos e de Manchin, o plano, que previa uma revolução verde e tinha um valor estimado em US$ 6 trilhões, deve ser reduzido a pouco mais de US$ 1 trilhão, e mesmo assim corre o risco de não ser aprovado.

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Outro revés foi a guerra na Ucrânia, que impulsionou os preços dos combustíveis no país, impactando diretamente a inflação a poucos meses de uma eleição legislativa complicada para o governo. Em resposta, a Casa Branca passou a defender o aumento da produção de petróleo nos EUA, além de buscar novas fontes no exterior, incluindo em países como Arábia Saudita e Venezuela.

Ativistas afirmam ainda que o volume de ajuda externa relacionada ao clima despencou desde o início do conflito, ao mesmo tempo em que o país enviava bilhões de dólares em armamentos para Kiev.

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