Em apuros, serviço de saúde de Portugal rejeita médicos voluntários

Victoria Waldersee
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Ambulância chega ao Hospital São João, na cidade do Porto, durante a pandemia de Covid-19 em Portugal

Por Victoria Waldersee

LISBOA (Reuters) - Médicos que se ofereceram para ajudar o serviço de saúde de Portugal, sobrecarregado com um pico de hospitalizações por Covid-19, dizem que estão sendo rejeitados ou se deparando com uma burocracia desnecessária.

Milhares de médicos – a maioria aposentados, mas alguns nos setores público e privado – dispostos a fazer hora extra se disponibilizam para ajudar hospitais públicos desde março, mas poucos foram contatados, disse a principal associação de médicos de Portugal.

"Nada aconteceu, ou uma série de barreiras administrativas inexplicáveis foi imposta, incluindo a recusa de trabalho voluntário", disseram mais de 100 dos médicos envolvidos em uma carta ao governo na segunda-feira.

"É pura incompetência", disse o cirurgião Gentil Martins, um dos médicos que ofereceram os serviços e teve a iniciativa da carta, à emissora TVI. "São os pacientes que saem perdendo."

O Ministério da Saúde não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

O governo enfrenta críticas crescentes devido à maneira como lida com a pandemia, o que inclui um relaxamento de restrições na época do Natal que causou um pico, a rejeição de ajuda de hospitais particulares no ano passado e supostos fura-filas na vacinação.

O país de 10 milhões de habitantes acumula 767.919 casos de Covid-19 e 14.354 mortes, e está com dificuldade para tratar quase 7 mil pacientes de Covid-19 em hospitais e unidades de tratamento intensivo.

Na semana passada, a Alemanha enviou uma equipe de médicos militares para ajudar.

(Reportagem adicional de Patricia Rua)