Em ato contra morte de Ágatha Félix, PM nega ajuda, faz piada e provoca manifestantes

Manifestantes foram até o escritório da Presidência da República. Foto: Giorgia Cavicchioli

Um grupo de algumas centenas de pessoas realizou, nesta sexta-feira (27), uma manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, contra a morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, que foi morta no último dia 20 após levar um tiro nas costas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

O grupo de pessoas se reuniu no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) por volta das 18h, seguiu em marcha pela avenida no sentido Consolação e terminou o ato em frente ao escritório da Presidência da República por volta das 21h30.

Durante o protesto, manifestantes fizeram várias falas em defesa da juventude negra e contra as mortes de pessoas periféricas e negras. “Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Polícia Militar”, “parem de nos matar” e “povo preto unido, povo preto forte, que não teme a luta, que não teme a morte”, eram alguns dos gritos e cantos possíveis de ouvir no local.

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Alguns dos presentes, deram balões amarelos e flores de papel para aqueles que estavam na região. Porém, as atitudes dos PMs (Policiais Militares) que acompanhavam o ato chamaram a atenção de muitos dos que estavam presentes.

O primeiro grande choque foi logo após a manifestação sair em marcha. Um homem que passava pelo local começou a provocar os que estavam no ato. “Bando de play boy, comunista”, dizia ele.

Em seguida, o mesmo homem passou a agredir e xingar alguns manifestantes. Porém, os policiais nada fizeram em relação ao caso e, segundo uma manifestante, ainda disseram: “Vocês não querem que a polícia acabe? Então resolvam”.

Policiais em volta da manifestação. Foto: Giorgia Cavicchioli

Em outro momento, a reportagem do blog presenciou algumas provocações feitas pelos policiais. Dois deles, por exemplo, tiravam sarro do projeto de aplicativo PTinder. Outro PM gritou “chegou em nóis! (sic)”, ao ouvir que o grupo queria “o fim da polícia militar”. Além disso, após cerca de 20 falas, um dos manifestantes criticou a prisão do ex-presidente Lula. Prontamente, um PM afirmou para um de seus colegas: “Tava demorando…(risos)”.

Mesmo assim, o ato seguiu com recados e falas como a da deputada Erica Malunguinho (PSOL), que disse ser necessária a união da população para combater o racismo. “A palavra de ordem é revolta. Precisamos de um contra-golpe. Chega! Não dá mais para ser complacente com esse Estado de morte”, afirmou a parlamentar.

Ao blog, a também representante Paula Aparecida, que é co-deputada da Bancada Ativista (PSOL), afirmou que é uma obrigação da população ir às ruas contra a morte de crianças como Ágatha. “É degenerado a gente naturalizar a morte de uma criança. A gente vai resistir. Estar aqui é lutar pela vida”, disse.

Deputada Erica Malunguinho fez sua fala durante o ato. Foto: Giorgia Cavicchioli

Também em entrevista ao blog, a servidora pública Rosina Conceição, da Unegro (União de Negros e Negras pela Igualdade), afirmou que é importante que a população esteja todos os dias na rua para denunciar a “exterminação da população negra”. “É um genocídio que estamos vivendo. A forma como esse governo trata a população mais pobre, os negros e negras e todos os trabalhadores é algo que a gente tem que dizer não”, concluiu.

A reportagem solicitou um posicionamento da SSP (Secretaria da Segurança Pública) sobre as atitudes dos PMs. Por meio de nota, a pasta disse que a polícia “está presente nos atos para garantir o direito de manifestação, a segurança dos presentes no local, sejam participantes ou não, bem como para garantir o direito de ir e vir de todos”.

Além disso, a secretaria afirmou que “qualquer denúncia pode ser direcionada à Corregedoria da Polícia Militar, que apura eventuais desvios de conduta”.