Em ato em Brasília, Bolsonaro convoca apoiadores a votar e convencer quem pensa diferente

Bolsonaro acompanha desfile em comemoração ao bicentenário em Brasília

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), pediu nesta quarta-feira aos apoiadores que votem no primeiro turno e que convençam aqueles que pensam "diferente de nós", em discurso em um trio elétrico em Brasília no qual não fez ataques diretos à cúpula do Judiciário nem contestou as urnas eletrônicas, após o desfile cívico-militar.

"A vontade do povo se fará presente no próximo dia 2 de outubro. Vamos todos votar, vamos convencer aqueles que pensam diferente de nós, vamos convencê-los do que é melhor para o nosso Brasil", disse Bolsonaro, em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto.

A fala de Bolsonaro se diferenciou das repetidas contestações ao sistema eleitoral e até ameaças de não aceitação de um eventual resultado desfavorável no pleito e pode ser vista como uma indicação de que aceita as regras do processo eleitoral.

QUATRO LINHAS

No discurso, o presidente não fez um ataque explícito ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas voltou a defender --sem citar nomes-- que todos joguem dentro das quatro linhas da Constituição caso se reeleja e pediu mudança e aperfeiçoamentos.

"Podem ter certeza, é obrigação de todos jogarem dentro das quatro linhas da Constituição, com uma reeleição traremos para dentro das quatro linhas todos aqueles que ousam jogar fora dela", disse.

"Hoje todos sabem quem é o Poder Executivo, o que é a Câmara dos Deputados, o que é o Senado Federal e também o que é o Supremo Tribunal Federal. A voz do povo é a voz de Deus, todos nós mudamos, todos nós aperfeiçoamos, todos nós podemos ser melhores no futuro", declarou. Após citar o STF, o presidente fez uma pausa que foi preenchida por vaias do público.

Na véspera, em tom de ameaça, Bolsonaro chegou a dizer que resolve questão dos decretos de armas --suspensos em parte pelo Supremo-- e outros problemas em uma semana, se for reeleito.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal não estimou o número de pessoas presentes ao desfile mais cedo e ao ato em apoio a Bolsonaro.

POLARIZAÇÃO

Em sua fala na Esplanada, sem se referir diretamente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro disse que há uma "luta do bem contra o mal" e que o adversário quer "voltar à cena do crime", repetindo o que tem dito em outros comícios e eventos de campanha.

"Sabemos que temos pela frente uma luta do bem contra o mal, o mal que perdurou por 14 anos no país, que quase quebrou a nossa pátria e que agora deseja voltar à cena do crime. Não voltarão, o povo está do nosso lado, o povo está do lado do bem, o povo sabe o que quer", disse ele, sob os gritos do público de "Lula ladrão, seu lugar é na prisão!".

Ao defender que sejam feitas comparações com gestões passadas, o presidente disse que o Brasil ressurge com uma economia pujante e citou pontos positivos de seu governo, como o país ter "uma das gasolinas mais baratas do mundo" e o Auxílio Brasil, entre outros pontos.

Em tom de brincadeira, sugeriu comparar até a mulher, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que estava ao seu lado --a mulher de Lula, a socióloga Rosângela Silva, a Janja também tem participado ativamente da campanha do petista.

Pouco antes de Bolsonaro, Michelle fez um discurso com forte tom religioso e defendeu o que chamou de luta por "Justiça, verdade e amor", destacando que com esses três princípios "o inimigo não vai vencer".

Havia a dúvida se o presidente iria discursar em Brasília. É esperado que ele faça um segundo discurso à tarde no Rio de Janeiro, após participar do evento oficial.