Em audiência, testemunha diz que vítima de feminicídio em shopping de Niterói gritou por socorro durante ataque: 'Ele vai me matar'

·2 minuto de leitura

Dois meses depois da morte da jovem Vitórya Melissa Motta, assassinada aos 22 anos por um colega de curso em um shopping de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, a Justiça do Rio realizou, nesta segunda-feira, na 3ª Vara Criminal do Fórum de Niterói, a primeira audiência para julgamento do caso, com a presença de testemunhas de defesa e de acusação. Réu por feminicídio, Matheus dos Santos da Silva, de 21 anos, encontra-se preso preventivamente e também participou da audiência. Vitórya foi morta a facadas na praça de alimentação do centro comercial. À época, um sentimento não correspondido de Matheus pela jovem foi apontado como a motivação para o crime.

Ao todo, 14 testemunhas foram ouvidas durante as oitivas, que começaram às 13h40 e duraram cerca de quatro horas. Entre elas, estão policiais que participaram da investigsação, amigos próximos de Vitórya e funcionários do shopping, como seguranças e trabalhadores de lojas. A mãe da vítima, Marcia Maria Mota, também depôs, bem como uma tia e um irmão de Matheus. Apenas uma pessoa convocada, identificada como colega dos dois no curso para auxiliar de enfermagem, não compareceu à audiência. Ao prestar depoimento, o réu optou por permanecer em silêncio.

Ao depor em juízo, várias testemunhas destacaram a frieza do réu, que permaneceu de cabeça baixa enquanto esteve na sala a audiência. Abalada, uma funcionária do shopping, presente no momento do crime, relatou o desespero de Vitórya durante o ataque:

— Lembro que quando ela ainda estava viva eu a ouvi dizendo: "Socorro! Ele vai me matar!".

Já um dos seguranças que prestou depoimento afirmou que, ao ser questionado sobre o ocorrido logo após o crime, Matheus se apresentou apático:

— Ele não expressava qualquer reação.

A mãe de Vitórya acompanhou todos os depoimentos ao lado de amigos da filha e de outros parentes. Ao ser ouvida, ela entregou o celular da filha, para que ele seja analisado no curso do processo. Marcia Maria também externou incômodo com o relato fornecido por alguns seguranças:

— Quando eu cheguei no local depois do acontecido, não tinha nenhum segurança. Quando me viram, apareceram vários — afirmou.

Uma tia de consideração de Vitórya também comentou o conteúdo dos depoimentos:

— Até agora, não houve qualquer novidade para nós sobre o caso. O que a gente espera é que a justiça seja feita — diz Patrícia Sodré, tia de consideração da vítima.

Após ouvir as testemunhas, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce decidiu que o réu irá a júri popular. A defesa abriu mão de recurso, e o julgamento será marcado. Até lá, Matheus permanecerá preso.

Antes da audiência, a defesa do acusado chegoua entrar com um pedido de que um laudo de insanidade mental fosse produzido. A juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, porém, não autorizou o exame. Em um trecho da decisão, ela fundamenta que “não há nos autos qualquer indício de que o réu seja acometido de distúrbio psiquiátrico”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos