Em autobiografia, Erasmo Carlos disse que brigou com Roberto apenas uma vez; saiba o motivo

Em 2009, Erasmo Carlos, que morreu nesta terça-feira (22), abriu sua intimidade numa autobiografia cheia de relatos surpreendentes. Lançado em outubro daquele ano, o livro "Minha fama de mau" (Objetiva) trazia passagens sobre a infância e juventude na Tijuca, o início da fama, o auge da Jovem Guarda e, claro, sua relação com Roberto Carlos, parceiro de uma vida inteira.

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Num dos trechos, o Tremendão conta que brigou com Roberto Carlos uma única vez. O desentendimento aconteceu porque Erasmo foi homenageado como compositor no programa de Wilson Simonal. Ninguém se lembrou, no entanto, de dar os créditos das canções a Roberto também.

Ele conta: "Roberto e eu brigávamos muito naquele início, mas só com os outros. Entre nós houve um único desentendimento em toda a carreira. Tudo por conta de um equívoco, em 1967, quando fui homenageado como compositor no programa "Show em Si... monal. (...) nem eu, nem o apresentador, Simonal, nem os produtores do programa - se lembrou de dar o crédito das parcerias a Roberto (...) A coisa cresceu, alastrando-se como um câncer pelas pessoas que tinham inveja da nossa união e viam naquele estopim aceso a possibilidade de explodir nossa amizade (...) O bom senso prevaleceu quando, alguns meses depois, recebi uma fita com uma melodia gravada onde Roberto dizia: 'Bicho, não estou mais zangado com você. Essa letra você faz em dez minutos'. A música era "Eu sou terrível".

Confira outros trechos da autobiografia "Minha fama de mau":

ERASMO E WANDERLÉA - "Perguntam-me sempre se não rolou nada entre mim e Wanderléa, no período da Jovem Guarda. Digo que não, em bora da minha parte deva admitir que a intenção existia. Mas o forte policiamento do seu Salim - um verdadeiro pai-zagueiro, marcando em cima do lance qualquer tentativa de gol - não deixava espaço para atacantes matadores como eu."

DUAS PARA DOIS - "Vivia essa euforia quando combinei com Juca Chaves, a quem havia acabado de conhecer num programa do qual participamos na TV Record, de sairmos para dar uma 'agitada' na noite paulistana. (...) - Onde é que a gente vai? Ele pensou um pouco e disparou: - Você já comeu mãe e filha? (...) - Não, respondi animado. - Então você vai comer hoje - rebateu Juca, sorrindo maliciosamente (...). Grande noite"

SURRA - "Num dia ensolarado, em frente a um ponto de ônibus da avenida Portugal, bem próximo à TV Tupi, um integrante do grupo de lutadores, sem a mínima cerimônia, nos abordou e... pou... deu um soco cinematográfico em Roberto, que o levou a nocaute, provocando espanto geral. Ao ver a cena, parti para cima do figura, dando socos no ar e errando chutes (...) Não tive tempo nem de pensar o que faria, pois levei uma 'cutelada' no pescoço que me fez ver estrelas, seguida de uma voadora. Me estabaquei no chão. (...)Diz a lenda que os garotões da praia eram todos alunos da academia Gracie. Brigões por natureza, treinavam ali mesmo. Azar o nosso."

EM CAUSA PRÓPRIA - "Comecei a trabalhar com Imperial em 1962, exercendo a função de secretário particular e coordenador do seu programa de rádio (...) Rapidamente absorvi seus ensinamentos e ganhei sua total confiança. Ele já não fazia com assiduidade sua coluna 'O mundo é dos brotos', na Revista do Rádio (...), tarefa que sobrou para mim. Tomei uma decisão: - Já que não sou eu que assino a coluna, posso falaar de mim sem problemas. Então comecei: 'Erasmo Carlos vem aí. Guardem esse nome', 'Jovem cantor da Tijuca vai dar o que falar' e 'Erasmo Carlos faz suas próprias músicas para conquistar o Brasil'."

FIMOSE - "Não era justo, eu ali deprimido no botequim, comendo manjubinhas fritas, e eles se deliciando. Fiquei delirando com minha mente tarada e desbocada de adolescente virgem, repleta de imagens pornográficas (...) Resolvi dar um basta na minha cruz e criar coragem. Afinal de contas. já restava com 15 anos. A decisão seria irreversível. No dia seguinte, reuni minha família e implorei zangado: - Mãe, tenho que operar minha fimose!"