Em baixa, Löw pode se despedir da Alemanha com feito raro em seleções

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*ARQUIVO* O técnico Joachim Low, que pode se despedir da Alemanha com feito raro em seleções. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
*ARQUIVO* O técnico Joachim Low, que pode se despedir da Alemanha com feito raro em seleções. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O técnico Joachim Löw, 61, anunciou na última terça-feira (9) que deixará o comando da seleção alemã após a disputa da próxima Eurocopa, prevista para acontecer nos meses de junho e julho deste ano.

A despedida do treinador marcará o fim de uma relação vitoriosa entre Löw e a equipe nacional da Alemanha, campeã do mundo em 2014 sob seu comando. Mas seu trabalho já viveu dias melhores.

De 2018 para cá, os alemães acumularam resultados decepcionantes: eliminação na fase de grupos no Mundial de 2018, rebaixamento na Liga das Nações e uma goleada por 6 a 0 para a Espanha em novembro do ano passado, a segunda pior derrota da seleção na história.

Com a Euro-2020 no horizonte -foi remarcada para 2021 em razão da pandemia do novo coronavírus-, o técnico busca se despedir em alta. Se possível, com mais um título, conquista que o colocaria em um seleto grupo de campeões mundiais que também faturaram o torneio europeu.

O primeiro treinador campeão tanto da Copa do Mundo como da Eurocopa, inclusive, foi um alemão: Helmut Schön, campeão da Euro em 1972 e mundial em 1974 com a Alemanha, comandada em campo por Franz Beckenbauer.

O segundo a entrar para a lista de vencedores das duas competições foi Vicente Del Bosque, espanhol que levou a seleção de seu país aos títulos da Copa do Mundo, em 2010, e da Euro, em 2012.

Joachim Löw encerrará depois da Eurocopa um ciclo que foi iniciado ainda em 2004, como assistente de Jürgen Klinsmann na seleção. Juntos, levaram a Alemanha ao terceiro lugar na Copa do Mundo disputada em casa.

Após o Mundial, Löw assumiu o comando e continuou o trabalho de recuperação da auto-estima do futebol alemão, que a partir de Klinsmann, e de uma reformulação nos processos de formação de atletas e técnicos, apostou em um estilo que pudesse não apenas ser competitivo, mas vistoso aos olhos dos torcedores alemães.

Em 2008, foi vice-campeão com a seleção, perdendo a decisão para a Espanha de Luis Aragonés. A mesma Espanha que encerraria, em 2010, a passagem da Alemanha pela África do Sul. A derrota por 1 a 0 na semifinal da Copa do Mundo (placar igual ao do revés na Euro) colocou os espanhóis na final do Mundial.

Apesar da queda, o desempenho alemão em solo africano exibiu as bases do jogo que se consagraria em 2014, com a conquista do título na Copa do Mundo disputada no Brasil.

Uma equipe que incorporou a posse de bola, estilo que marcou o sucesso espanhol nos anos anteriores, mas adicionou ao repertório características do futebol alemão: o contra-ataque e a verticalidade dos times.

E assim como Del Bosque se aproveitou do momento brilhante do Barcelona sob Pep Guardiola, Löw soube extrair do poderoso Bayern de Munique não só os atletas, mas as funções e aspectos táticos que seriam úteis à equipe nacional.

No Mundial, a seleção alemã foi mais contra-atacante do que dominante com a bola no pé. Que o diga o Brasil, derrotado na semifinal por 7 a 1, no Mineirão, a maior derrota da história da seleção brasileira. Para Joachim Löw e seus comandados, um resultado que confirmou a impressão de que a Alemanha estava mais do que preparada para ser campeã mundial.

Na decisão, contra a Argentina, no Maracanã, o gol de Mario Götze selou o triunfo por 1 a 0, já na prorrogação, e a conquista do tetracampeonato do mundo para os alemães.

A sequência do trabalho exibiu o declínio da seleção de Joachim Löw e de sua incapacidade de transformar a equipe novamente em uma força competitiva. Com veteranos em baixa, não convenceu durante a disputa da Euro-2016 e foi eliminada pela França, na semifinal. Em 2018, na Copa do Mundo da Rússia, a eliminação veio ainda na fase de grupos.

Em um momento ruim de seu trabalho, o treinador de 61 anos anuncia a despedida. E espera coroar o adeus com um novo título. Pois mais do que um passado vitorioso, Löw quer ser lembrado como alguém que deixou algo. Ao contrário de 2004, quando não deixaram muito para ele e Klinsmann, responsáveis por iniciar o processo que levou a Alemanha ao topo do mundo.