Em Belém, um Natal íntimo em busca de "luz"

Guillaume LAVALLÉE
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O patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, durante a missa do Galo na Basílica de Belém, em 25 de dezembro de 2020

Na Basílica da Natividade de Belém, alguns fiéis e clérigos celebraram juntos a missa do Galo à meia-noite, em busca de um pouco de "luz" após um ano de "trevas".

A pandemia de covid-19 não impediu a celebração da missa de Natal em Belém, a cidade palestina onde Cristo nasceu - segundo a tradição -, mas alterou consideravelmente rituais muito antigos.

Na capela contígua à basílica, geralmente lotada para o Natal, as autoridades religiosas permitiram o acesso de um número reduzido de convidados.

A cidade não tem sinal de turistas ou do público local nos templos. O presidente palestino, Mahmud Abbas, optou por projetar sua imagem em um vídeo pelas ruas de Belém para evitar o risco de infecção do novo coronavírus.

Os bancos da basílica receberam pedaços de papéis para estabelecer o distanciamento entre os fiéis. Os poucos convidados, como a embaixadora americana na ONU, Kelly Craft, e seus seguranças, usaram máscaras.

"Não podem dar as mãos, mas podem desejar paz uns aos outros", disse o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, no momento em que, habitualmente, os fiéis apertam as mãos.

"O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre os que habitavam na terra da sombra da morte resplandeceu a luz", afirmou ao iniciar a homilia, com uma citação do livro de Isaías.

"Todo o mundo se sente na escuridão, cansado, esgotado, oprimido pelo peso desta pandemia que sequestrou nossas vidas", completou.

Neste mundo de distâncias seguras, de frieza, o calor do órgão provocou uma proximidade na basílica, grande demais para o número reduzido de fiéis e clérigos que, no entanto, pareciam viver um momento singular.

"É uma experiência única porque, como pessoa religiosa, nosso modelo é Cristo [...] Rezar aqui, no local do nascimento de Cristo, é como rezar no local da base de nossa vida religiosa", declarou Fabrice, natural de Congo-Brazzaville.

Fora da basílica, as luzes de uma grande árvore de Natal eram refletidas nas pedras da praça da Natividade, deserta.

Os restaurantes da área fecharam mais cedo este ano.

Saef Manasa, 22 anos, que trabalha na construção civil, compareceu à praça com os amigos. "Sou muçulmano, mas gosto muito dos cristãos e o Natal nos permite festejar juntos", afirmou.

"Vivemos em um mundo de pluralidade", recordou o patriarca durante a missa, celebrada em vários idiomas.

Depois dos clássicos "Adeste Fideles" e "Gloria excelcis deo", o patriarca, os padres e os fiéis saíram em procissão com um Jesus de porcelana até a Gruta da Natividade, onde supostamente aconteceu o "milagre da encarnação".

Mas a missa única teve outro "milagre", muito menos metafísico: como os membros do coro conseguiram expressar tamanha potência vocal com seus rostos cobertos por máscaras?

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