Em Brasília, artistas pressionam e parlamentares sinalizam derrubada de vetos em leis culturais

Aos gritos de “derruba os vetos” em frente ao colégio de líderes na Câmara dos Deputados, artistas intensificaram a pressão sobre parlamentares pela derrubada dos vetos das leis Aldir Blanc 2 e Paulo Gustavo, que serão analisados em sessão do Congresso nesta terça-feira. Um grupo com mais de dez atores, atrizes e cantores, além de secretários de cultura, estão em Brasília para intensificar a mobilização pela derrubada dos vetos.

Durante reunião de líderes, todos os partidos presentes, com exceção do Novo, sinalizaram que são favoráveis à derrubada dos dois vetos. Após a consulta, o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (PL-TO), levaria a posição das bancadas pela derrubada dos vetos ao Executivo. Até a segunda-feira, não havia acordo sobre o tema, mas partidos da base e oposição concordaram em derrubar os vetos às leis de incentivo à cultura.

Aprovada em março deste ano, a Lei Aldir Blanc — nomeada em homenagem ao letrista e músico vítima da Covid-19 em 2020 — previa um repasse de R$ 3 bilhões aos estados e municípios durante cinco anos. Já a Lei Paulo Gustavo, que recebeu o nome do humorista e ator também vítima da Covid-19. O projeto destinaria R$ 3,8 bilhões para estados e municípios para garantirem ações emergenciais ao setor cultural. As duas leis foram vetadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ao GLOBO, a atriz Letícia Spiller diz que os vetos foram grandes retrocessos sobre duas leis aprovadas que têm extrema importância não apenas para o setor cultural:

— A cultura gera em torno de 6 milhões de empregos e tem um PIB de R$ 170 bilhões para o governo. Não é pouca coisa. Estamos falando de um setor extremamente competente. Com a aprovação dessas leis, a gente vai garantir que as pessoas acordem com comida no prato e no dia seguinte vão continuar tendo o que comer.

Ela reforça que o setor é uma engrenagem que gera muitos empregos, inclusive para pessoas simples, que precisam garantir alguma renda para sobreviver.

— A gente precisa de um governo que tenha respeito e que construa políticas permanentes que garantam o futuro dos trabalhadores do nosso paí. Não podemos acordar hoje com comida no prato e amanhã morrendo de fome — afirmou.

Vera Fischer afirmou que a pressão, no bom sentido, dos artistas é para que as duas leis possam funcionar na prática:

— Não faz sentido duas leis que já foram aprovadas serem abatidas novamente. A gente está aqui tentando forçar, no bom sentido, porque não adianta uma lei sem a outra. É como se você dissesse: você vai comer hoje, mas não vai comer o resto da vida. Nós precisamos das duas. Estamos fazendo uma vigília ferrenha, porque a gente não quer mais ter de voltar aqui.

O ator Johnny Massaro diz que o grupo já tinha conversado com o líder do governo no Senado, Eduardo Gomes, que foi acolhedor em relação às demandas:

— Claramente não é a luta de um setor, é a luta de uma sociedade, e a cultura reverbera infinitamente. É importante estarmos reunidos em torno dessa causa.

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