Em Buenos Aires, Evo Morales pede que OEA fique de fora da eleição na Bolívia

SYLVIA COLOMBO
BUENOS AIRES, AR - 17.12.2019: CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DA EVO MORALES EM - Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, durante uma conferência de imprensa em Buenos Aires, Argentina, terça-feira, 17 de dezembro de 2019 (Foto: Mario De Fina /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1847881

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, deu sua primeira entrevista a jornalistas desde que chegou a Buenos Aires, vindo do México, agora na condição de refugiado. Foi em um pequeno auditório, na avenida Corrientes, no centro da capital argentina.

"A Organização dos Estados Americanos (OEA) deveria ser excluída para que exista transparência nas próximas eleições", disse.

Evo afirmou que não pretende ser candidato no próximo pleito, mas disse que é importante que seja garantido que as próxima eleições --inicialmente planejadas pelo governo para março ou abril-- tenham mecanismos para que sejam "limpas e transparentes".

O ex-presidente pede que se forme uma comissão suprapartidária que "garanta a transparência, mas que deixe de fora a OEA". Segundo ele, esse organismo se encontra comprometido com determinadas causas e ideologias e deixou de ser imparcial.

"Os notáveis que sejam convocados para essa comissão podem ser de esquerda ou de direita, seria bom se estivessem ali alguns Nobel da paz, outros organismos, qualquer um, menos a OEA."

Ele disse que sua estada na Argentina tem sido muito agradável e acolhedora, especialmente por estar mais perto da Bolívia.

Acrescentou, ainda, críticas ao governo interino da presidente Jeanine Añez, porque "há presos políticos na Bolívia, e enquanto houver presos políticos, não há eleição livre possível".

Evo esteve informalmente reunido com o presidente argentino, Alberto Fernández, e a vice, Cristina Kirchner, e disse que ambos o acolheram bem e a quem garantiu que cumpriria as normas estabelecidas para refugiados.

A entrevista desta terça-feira, porém, foge a essas regras, uma vez que Evo estaria impedido de fazer atos políticos públicos. O chanceler Felipe Solá havia garantido que ele poderia realizar reuniões, conversas, mas não emitir sua opinião em público, que foi exatamente o que se viu nessa coletiva no começo da tarde.

Morales ainda criticou Añez por ter dito que ele poderia voltar para a Bolívia, mas que enfrentaria a Justiça. "Ela quem é, presidente, chefe da Justiça e do Exército? Isso se chama ditadura", disse Morales.