Em cúpula dominada por pandemia, Bolsonaro fala em 'salvar vidas e proteger economias'

SYLVIA COLOMBO
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BRASILIA, DF,  BRASIL,  16-12-2020, 10h00: O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASILIA, DF, BRASIL, 16-12-2020, 10h00: O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Na última reunião do Mercosul de 2020, realizada novamente por meio virtual por conta do coronavírus, nesta quarta-feira (16), a pandemia não escapou de ser o assunto principal. Enquanto o presidente argentino, Alberto Fernández, pediu "uma ação integrada dos países da região", o paraguaio Abdo Benítez reforçou que era necessário que "as vacinas cheguem rápido para superar a atual crise".

Em sua participação, o brasileiro Jair Bolsonaro não falou sobre a chegada ao país dos imunizantes -que já declarou que não vai tomar-, mas afirmou que o bloco agiu para "salvar vidas e proteger nossas economias".

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse nesta quarta que o plano de imunização nacional deve começar a ser aplicado em fevereiro.

Na Argentina, a vacinação com a russa Sputnik V começa ainda neste mês com a população de risco e os agentes da saúde. Segundo estimativa do ministro da Saúde, Ginés González García, o país terá novas doses para vacinar a população em geral em fevereiro.

O presidente chileno Sebastián Piñera, por sua vez, anunciou o início da imunização já na próxima semana. O país tem acordos com os laboratórios Pfizer e BioNTech. E Luis Arce, recém-eleito presidente da Bolívia, pediu que "os países do Mercosul trabalhem numa agenda de consensos para acesso a medicamentos, vacinas e equipamentos médicos".

Para além da crise sanitária, que definiu como "sem precedentes", Bolsonaro fez um discurso moderado, enfatizando que espera que os interesses comerciais predominem sobre as diferenças entre os governos.

Ao lado do chanceler Ernesto Araújo (sem máscara) e do ministro da Economia, Paulo Guedes (de máscara), o presidente reforçou, também, que espera que o Mercosul seja "um aliado na agenda de reformas que estão sendo feitas para melhorar o Estado brasileiro".

Na reunião em que entregou a presidência pró tempore do bloco para a Argentina, o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, afirmou que as recentes negociações entre o Mercosul e Israel e Coreia do Sul são exemplos de como o grupo deve funcionar.

"O bloco está avançando em conjunto, mas cada país está atuando na sua velocidade, em ritmos diferentes", disse. Segundo ele, quando se fala de "consenso" em termos de Mercosul, é necessário entender que "alguns têm necessidades mais urgentes e que os outros não necessariamente vão avançar como os demais".

Em sua fala, Alberto Fernández chamou a atenção para justiça social no pós-pandemia. "Não haverá economias robustas sem inclusão social, sem incluir os mais vulneráveis."

O presidente argentino acrescentou que será necessário, nas próximas reuniões, priorizar a transição para a economia digital que foi muito mais ativada na crise sanitária. "Queremos que o Mercosul seja um mecanismo solidário, e citando aqui o papa Francisco, repito que creio que ninguém se salva sozinho."

Estreando nas reuniões do Mercosul, o presidente da Bolívia agradeceu a ajuda de Fernández na transição de poder em seu país -o ex-presidente boliviano Evo Morales passou quase 11 meses exilado na Argentina depois de renunciar.

Arce também pediu que o bloco analise a criação de um fundo para ajudar as economias locais a se recuperarem após a fase aguda da pandemia -mas não deu detalhes de como ele deveria funcionar.