Em campanha, Bolsonaro usa a pandemia para justificar problemas econômicos do Brasil

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Jair Bolsonaro tem viajado pelo Brasil para entregar obras e distribuir títulos (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
Jair Bolsonaro tem viajado pelo Brasil para entregar obras e distribuir títulos (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)

Mesmo que a campanha presidencial ainda não tenha começado oficialmente, o presidente Jair Bolsonaro (PL) faz diversos eventos eleitorais, justificado com entregas de obras realizadas pelo governo ou títulos de terras.

Quase sempre em um palanque, cercado de aliados e com apoiadores gritando “mito”, Bolsonaro costuma repetir boa parte dos discursos nesses eventos, em tom de candidato. Um aspecto que está sempre presente é a tentativa de justificar porque a economia vai mal no Brasil.

Alguns podem tentar argumentar, com base em número generalizados, que o aspecto econômico do Brasil não é preocupante. Mas, é notório que, de forma individualizada, o povo tem sofrido as consequências da inflação e da perda do poder de compra. Jair Bolsonaro sabe que é isso que mais ameaça a possibilidade de reeleição.

Por isso, em diversos discursos, em especial em pequenos municípios, Bolsonaro tenta jogar para os governadores a responsabilidade de o brasileiro estar sofrendo toda vez que vai ao mercado. A crítica é direcionada à política de restrição de circulação durante a fase mais aguda da pandemia de covid-19, quando ainda não havia vacina e a recomendação era a de que as pessoas ficassem em casa.

Em Itabuna (PB), na última quinta-feira (5), Bolsonaro criticou o que chama de “política do fica em casa, a economia a gente vê depois”.

“Dizer a vocês que passamos 2 anos bastante difíceis com a pandemia. Toda a população sofreu, em especial pela forma como muitos governadores trataram vocês, trabalhadores. A política do ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’ foi a pior possível. Fez com que muita gente perdesse o emprego.”

Em seguida, Bolsonaro declarou: “eu não fechei uma só casa de comércio no Brasil. Sempre disse que deveríamos combater o vírus e combater o desemprego”.

Em Paragominas, no Pará, no dia 28 de abril, as frases ditas pelo presidente foram similares. “Eu sempre estive no meio de vocês, mesmo no meio da pandemia, eu nunca abandonei o meu povo. Eu nunca fechei uma só casa de comércio desde quando assumi o meu governo. Passamos por momentos difíceis, mas eu não poderia me esconder, ficar longe de vocês. Paguei um preço caro por isso, mas a satisfação do dever cumprido realmente nos refrigera a alma.”

Em 8 de abril, o discurso foi o tempo em uma visita a Bagé, no Rio Grande do Sul. “Três anos e três meses de governo, enfrentamos dois anos de pandemia. Ninguém passou por isso no Brasil. Eu, como presidente da República, tinha poder para fechar o Brasil todo. Não fechei uma só casa de comércio no Brasil.”

Ao mesmo tempo, Jair Bolsonaro não citou em nenhuma ocasião cita a demora do Brasil para ter vacinas disponíveis, tampouco o alto número de mortes em decorrência da covid-19.

Citações à guerra, sem mencionar a Rússia

Outra argumentação que tem começado a ficar mais frequente é a da guerra da Rússia, citada nos dois eventos. No entanto, Bolsonaro não cita nem a Ucrânia, país invadido, nem mesmo fala dos russos como invasores. Fala apenas que “há uma guerra”.

“O Brasil atravessa ainda um momento difícil, como todo o mundo. Consequências da pandemia e de uma guerra bem distante daqui. Sofremos com a inflação, o preço dos combustíveis e da energia. Mas não temos desabastecimento. Trabalhamos por vocês. Fui do outro lado do mundo negociar fertilizante para o agronegócio”, disse Bolsonaro em Paragominas.

Em Itabuna, também foi citada “uma guerra muito distante” para justificar a alta dos preços. Já em Bagé, Bolsonaro falou em “uma guerra lá fora”.

O Brasil não tem se posicionado em relação ao conflito. Logo antes de a Rússia invadir a Ucrânia, Bolsonaro esteve com Vladimir Putin, o que gerou críticas ao presidente brasileiro.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos