Em campanha em Vila Isabel, Crivella pede para vereadores votarem redução do IPTU

Felipe Grinberg
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Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) pediu nesta segunda-feira para que a Câmara dos Vereadores vote a redução do IPTU que faz parte de um "pacote de bondades" que o município enviou ao legislativo às vésperas das eleições.

— Época de campanha e tá todo mundo na rua pedindo voto. Mas espero que eles (os vereadores) discutam a proposta da diminuição do IPTU, que é fundamental para a retomada da economia. A redução do IPTU é por causa da pandemia. É uma maneira de recuperarmos os empregos para as pessoas abrirem as lojas — defendeu o prefeito candidato à reeleição, e agenda de campanhaem Vila Isabel.

Após o anúncio do "pacote de bondades" na última semana durante uma coletiva de imprensa, o prefeito têm veiculado em seu horário eleitoral um vídeo que explica como funcionaria a redução do IPTU, caso aprovada. Mas, apesar do pedido do prefeito, a Câmara congelou a tramitação do pacote até que sejam detalhados os impactos das medidas.

A decisão foi tomada hoje pelo presidente da Câmara, vereador Jorge Felippe (MDB), com base em um parecer da procuradoria-geral do legislativo carioca, que considerou descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal a falta de informações sobre a renúncia de receita e meios de compensá-las.

As duas Comissões de Parlamentares de Inquéritos (CPIs) para investigar a ação dos "Guardiões" e do suposto esquema de corrupção na prefeitura do Rio chamado de "QG da Propina" também estão paradas. Desde o dia 30 de setembro, dia em que as duas foram instauradas, não houve sequer uma reunião entre os vereadores para discutir o andamento delas.

As duas CPIs são controladas pelo bloco governista, que após uma manobra conseguiu ter maioria na Câmara. O presidente das Comissões é o vereador Jorge Manaia (PP), candidato à reeleição, responsável por convocar audiências, oitivas e reuniões. Nos bastidores da Câmara a demora é ligada a uma tentativa da base de blindar Crivella no período eleitoral.

Para tentar forçar a retomada dos trabalhos, o vereador de oposição Atila Nunes (DEM), que também é membro das duas CPIs, protocolou ofícios pedindo a volta dos encontros. O vereador avalia que não é necessário esperar a resposta de alguns órgãos para iniciar o trabalho de oitivas, por exemplo.

Enquanto falava com jornalistas na porta da sede da Defesa Civil, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, na agenda de campanha sobre projetos para o órgão, um motoqueiro parou próximo ao prefeito e gritou palavras de ordem contra o prefeito, o chamando de "ladrão". Para os jornalistas, Crivella rebateu:

— Eduardo Paes não está aqui não. Uma aplaude, e outro vaia, política é assim.

Esta não foi a primeira vez que o prefeito foi hostilizado em uma agenda de campanha. Em outubro, durante uma visita ao Hospital Ronaldo Gazolla, Crivella foi alvo de críticas de pacientes da Clínica da Família Marcos Valadão, que fica no mesmo complexo, a poucos metros da entrada do hospital. Segundo a última pesquisa Datafolha o prefeito possui uma rejeição de 57%, a maior rejeição entre os postulantes ao cargo.

Por causa da alta rejeição uma das principais estratégias de campanha nas ruas do prefeito é se fortalecer entre seu público fiel. Para isso, Crivella tem feito caminhadas apenas na Zona Oeste, onde possui sua maior base eleitoral e ido à reuniões com lideranças organizadas, principalmente, por candidatos à vereador que compõe sua coligação. Antes de ir à agenda na Defesa Civil, por exemplo, gravou um vídeo junto ao vereador e candidato à reeleição Marcelo Sciliano (PP) em uma obra de recapeamento de asfalto em Varge Grande, na Zona Oestes do Rio.