Em carta aberta, Lula promete combinar responsabilidade fiscal e social

Em carta aberta que será divulgada nesta quinta-feira, três dias antes do segundo turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promete combinar, em um eventual governo, responsabilidade fiscal e social. O documento de nove páginas denominado "Carta para o Brasil do amanhã", ao qual o GLOBO teve acesso, diz que a reconstrução do Brasil exige uma gestão pública "responsável" e "aberta ao diálogo". (Leia a íntegra da carta)

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"É possível combinar responsabilidade fiscal, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável – e é isso que vamos fazer, seguindo as tendências das principais economias do mundo", diz o texto.

"A política fiscal responsável deve seguir regras claras e realistas, com compromissos plurianuais, compatíveis com o enfrentamento da emergência social que vivemos e com a necessidade de reativar o investimento público e privado para arrancar o país da estagnação", acrescenta o documento, que ainda incorpora sugestões da senadora Simone Tebet (MDB-MS), que passou a apoiar Lula após terminar a disputa presidencial em terceiro lugar.

A carta vem à tona num momento em que o petista é cobrado por dar mais detalhes sobre o seu plano para a economia. A campanha já disse que revogará o teto de gastos, mas não divulgou qual será a nova âncora fiscal. Também não esclarece de onde irá tirar recursos para bancar novos programas.

Lula começa a carta dizendo que o país escolherá neste domingo entre dois projetos completamente diferentes para o Brasil, o do "ódio", com Jair Bolsonaro (PL), e o da "esperança", representado por sua candidatura. Ele faz ainda uma série de críticas ao atual presidente, com quem disputa o segundo turno:

"Um é o país do ódio, da mentira, da intolerância, do desemprego, dos salários baixos, da fome, das armas e das mortes, da insensibilidade, do machismo, do racismo, da homofobia, da destruição da Amazônia e do meio ambiente, do isolamento internacional, da estagnação econômica, do apreço à ditadura e aos torturadores. Um Brasil de medo e insegurança com Bolsonaro", diz o texto.

Em outro momento, o ex-presidente declara que o Brasil não pode mais ficar nas mãos de quem "admira a ditadura militar e idolatra monstruosos torturadores", em referência a Bolsonaro.

"O Brasil não pode ficar entregue a pessoas que questionam nosso processo eleitoral, procurando criar condições para golpes e aventuras totalitárias. O Brasil não pode estar submetido a um governante que agride sistematicamente o STF e o TSE e já ameaçou fechar o Congresso. Um governo que nega a transparência, o acesso público à informação e desestruturou os mecanismos de controle e combate à corrupção", diz Lula, que reafirma "total compromisso" com a democracia.

O petista diz que, se eleito, as primeiras medidas de seu governo serão para resgatar da fome 33 milhões de pessoas e resgatar da pobreza mais de 100 milhões de brasileiros e brasileiras.

"A democracia só será verdadeira quando toda a população tiver acesso a uma vida digna, sem exclusões", escreve Lula, que depois detalha as suas propostas para diferentes áreas.

Ao final do texto, Lula afirma que o país precisa "paz, democracia e diálogo". Em aceno ao eleitorado religioso, ele termina a carta aos brasileiros com a frase "Deus nos ilumine nessa caminhada".