Em carta a Alckmin, líderes do movimento negro indicam ex-ministro para transição e pedem representatividade

Dirigentes negros e negras de nove partidos enviaram uma carta ao vice-presidente eleito e coordenador da equipe de transição, Geraldo Alckmin (PSB), pedindo representatividade na equipe do ex-governador paulista e no futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O documento, encaminhado nesta sexta-feira, indica o nome do ex-ministro Martvs Chagas (PT) para a equipe de transição. Martvs é secretário Nacional de Combate ao Racismo do PT e foi ministro da Promoção da Igualdade Racial no governo Lula. Atualmente, é secretário de Planejamento do Território e Participação Popular da prefeitura de Juiz de Fora (MG).

O documento é assinado por líderes do movimento negro partidário de nove legendas: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, MDB, PSOL, Cidadania e PSDB. No texto, os representantes das siglas chamam a atenção para a necessidade de dar espaço às pessoas negras na equipe de transição. Pedem, ainda, que não seja uma participação simbólica e restrita às pautas raciais.

O grupo solicita ao vice-presidente eleito que a participação de pessoas negras se estenda para o governo que se iniciará no próximo ano. De acordo com os dirigentes, é importante que a representatividade ocorra de maneira transversal, e não apenas no Ministério da Igualdade Racial.

— Quando se pensa na figura negra é para o Ministério da Igualdade Racial. Não podemos ficar centrados apenas nesse espaço. É importante que o nosso saber, intelectualidade, olhar epistêmico e de gestão pública vá além da questão racial. Queremos estar em outras áreas de representação da política pública. Além de igualdade, é importante mostrar que o negro tem a capacidade de fazer gestão pública em diversas áreas de conhecimento — afirmou ao GLOBO Gabriela Cruz, presidente nacional do Secretariado da Militância Negra do PSDB, conhecido como Tucanafro.

Gabriela, última gestora de Igualdade Racial antes de Bolsonaro ser eleito presidente da República, diz que a carta representa uma união de partidos e de esforços para reconstruir os retrocessos do atual governo, por exemplo, no que diz respeito à Fundação Palmares. Segundo ela, apesar de a carta indicar o nome de Martvs para a transição, é importante que haja mais espaço para pessoas negras.

— Vão falar da gente sem a gente? Este é o momento de ver na prática o que vimos no discurso. Queremos que a equipe seja representativa — diz Gabriela, que foi secretária de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do governo de Michel Temer (MDB) e é a primeira integrante tucana a compor uma equipe da campanha petista.