Em carta aos funcionários, CEO da ByteDance defende estratégia do TikTok nos EUA

Rui Maciel
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As próximas semanas prometem ser bastante agitadas na ByteDance, empresa controladora do TikTok. Depois da ameaça (ou promessa) de Donald Trump de bloquear o uso do aplicativo nos EUA, pipocaram notícias sobre a venda da operação americana do app para a Microsoft - e que não foram negadas, nem confirmadas pelas partes envolvidas. Agora, Zhang Yiming, fundador e CEO da ByteDance, defendeu junto aos funcionários da companhia a sua estratégia em terras norte-americanas.

Em carta enviada nesta terça-feira (04), Yiming disse aos funcionários que houve mal-entendidos nas mídias sociais chinesas sobre a situação do TikTok nos Estados Unidos e que a empresa pode enfrentar mais dificuldades à medida que o sentimento anti-chinês aumenta no exterior.

Zhang Yiming: defesa de sua estratégia nos EUA depois das críticas dos chineses
Zhang Yiming: defesa de sua estratégia nos EUA depois das críticas dos chineses

A agência de notícias Reuters divulgou parte do conteúdo da carte interna, que havia sido vazado primeiramente na mídia chinesa e que foi confirmado por uma fonte. Confira abaixo o conteúdo do documento:

Eu realmente entendo (as críticas). As pessoas têm grandes expectativas de uma empresa fundada por um chinês que está se tornando global, mas têm pouca informação sobre isso. Com muitas queixas em relação ao governo dos EUA, elas tendem a nos atacar com duras críticas.

As críticas em questão surgiram na segunda-feira (03), quando as notícias da venda da operação americana do TikTok para a Microsoft vieram à tona. Alguns usuários do Weibo, mais popular rede social chinesa, disseram que desinstalariam o aplicativo de vídeos curtos - que na China se chama Douyin - e o agregador de notícias Jinri Toutiao. Isso porque eles acreditavam que a ByteDance havia cedido muito rapidamente a Washington.

Outros críticos pediram que a ByteDance aprendesse com o Google, que optou por retirar seu mecanismo de buscas do mercado chinês em 2010, depois que o governo local pediu que censurasse seus resultados de busca, em vez de vender suas operações no território do país asiático.

Ainda na carta, Zhang Yiming disse que algumas pessoas entenderam mal a situação dos EUA. Ele disse que o objetivo de Donald Trump não era forçar a venda das operações do TikTok nos EUA, por meio do Comitê de Investimentos Estrangeiros nos EUA (CFIUS), mas proibir o aplicativo. Além disso, ele afirmou que havia um processo legal correndo no país norte-americano sobre o tema e que a ByteDance não tinha escolha a não ser seguir.

Zhang também disse aos funcionários que, nos últimos dois anos, o sentimento anti-chinês aumentou em muitos países e a empresa deve se preparar para mais dificuldades no ambiente atual.

Em outra carta interna enviada também na segunda-feira (03), Zhang disse aos seus funcionários que a empresa havia iniciado conversas com uma empresa de tecnologia para continuar oferecendo o aplicativo TikTok nos Estados Unidos. Essa companhia seria a Microsoft que, hoje, controla a rede social corporativa LinkedIn.

Inicialmente, Donald Trump descartou a ideia de vender as operações do TikTok nos EUA para a Microsoft. No entanto, ele mudou de ideia após a pressão de alguns assessores e membros do partido Republicano. Na opinião deles, a proibição do TikTok no país poderia alienar muitos jovens eleitores, comprometendo ainda mais as chances de Trump nas eleições presidenciais que ocorrem em novembro. E onde, segundo as pesquisas, ele seria derrotado pelo democrata Joe Biden.

Donald Trump: presidente dos EUA quer proibir uso do TikTok no país
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50 bilhões de dólares

Com a venda iminente, analistas vem fazendo cálculos para determinar quanto o valeria o TikTok, caso ele seja adquirido por uma empresa dos EUA.

A ByteDance já recebeu uma proposta de alguns de seus investidores de transferir a propriedade majoritária da TikTok para eles, afirmou a Reuters a partir de fontes próximas ao tema. Ela foi feita por fundos de investimento participantes da companhia, como a Sequoia e a General Atlantic, A empresa também obteve participação no TikTok de outras empresas e firmas de investimento. Cerca de 70% do capital social que a ByteDance captou de investidores externos vieram dos Estados Unidos, de acordo com uma das fontes.

A oferta dos investidores avalia o TikTok em 50 vezes a receita projetada para 2020, de cerca de US$ 1 bilhão - ou seja, ela valeria hoje, em torno de US$ 50 bilhões. Em comparação, o Snap, controlador do Snapchat, é avaliado em 15 vezes sua receita projetada para esse ano, algo em torno de US$ 33 bilhões, segundo o provedor de dados Refinitiv.

No entanto, não está claro se Yiming Zhang, fundador e CEO da ByteDance, ficará satisfeito com a oferta. Isso porque os executivos da companhia discutiram recentemente projeções de avaliação para o TikTok e elas ultrapassam os US$ 50 bilhões. A rede social está crescendo rapidamente, à medida que consegue arrecadar mais receitas com publicidade. As estimativas dos administradores do app é que o faturamento atinja os US$ 6 bilhões em 2021.

A Byte também é dona de outros aplicativos de grande popularidade no mercado asiático e estabeleceu uma meta de receita para 2020 de cerca de US$ 28 bilhões A empresa foi avaliada em até US$ 140 bilhões no início deste ano, quando uma de suas acionistas, a também desenvolvedora de apps Cheetah Mobile, vendeu uma pequena parcela de sua participação.

Fonte: Canaltech

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