Em carta, cacique bolsonarista Serere pede desculpas a Lula e ao povo brasileiro

Cacique bolsonarista Serere foi preso em dezembro do ano passado acusado de participar e liderar atos antidemocráticos após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições
Cacique bolsonarista Serere foi preso em dezembro do ano passado acusado de participar e liderar atos antidemocráticos após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições
  • Indígena apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pede desculpas ao povo brasileiro, ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes (STF e TSE) em carta;

  • Apontado como uma das lideranças de movimentos golpistas, José Acácio diz ter embarcado em tese de fraude nas urnas com base em “informações erradas”;

  • Bolsonarista ainda defende “perdão e conciliação” como “únicos caminhos possíveis”.

O indígena José Acácio Serere Xavante, que se apresenta como cacique do Povo Xavante, divulgou uma carta em que pede desculpas a autoridades e ao povo brasileiro e diz que nunca defendeu uma “ruptura democrática” no país. As informações foram obtidas pelo blog de Fausto Macedo, do Estadão.

Serere foi preso em dezembro do ano passado acusado de participar e liderar atos antidemocráticos após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições. A prisão dele ocasionou uma série de atos de vandalismo em Brasília (DF).

"Entendo que o amor, o perdão e a conciliação são os únicos caminhos possíveis para a vida em sociedade", afirma no texto divulgado nesta quinta-feira (5).

Em 12 de dezembro, após a prisão de José Acácio, extremistas tentaram invadir a sede da Polícia Federal, em Brasilia, depredaram carros e ônibus, além de prédios públicos e privados, criando um cenário de terrorismo na capital federal. Pelo menos 40 envolvidos nos protestos violentos já foram identificados.

Na carta, Serere autoriza apenas seus advogados Jéssica Tavares, Pedro Coelho e João Pedro Mello a falarem em nome dele, para evitar “qualquer atuação leviana” e “divulgação de mentiras”.

O indígena ainda reconhece ter errado ao apontar uma suposta fraude nas urnas eletrônicas e disse ter assumido a narrativa com base em “informações erradas fornecidas por terceiros”.

"Na verdade, não há nenhum indício concreto que aponte para o risco de distorção no resultado às urnas, ou na vontade do eleitor brasileiro", escreveu.

Finalmente, o apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pede desculpas ao “povo brasileiro”, ao presidente Lula (PT), e até ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).