Em carta a Guedes, presidente do BC não cita risco fiscal entre os principais fatores do descumprimento da meta de inflação em 2021

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BRASÍLIA — O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, não citou o risco fiscal como um dos principais fatores para que a inflação ficasse acima do teto da meta em 2021. O IPCA fechou o ano em 10,96%, bem acima da meta de 3,75%.

Em carta enviada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta terça-feira, Campos Neto elencou três elementos principais para o descumprimento da meta. A forte elevação do preço de commodities, a tarifa mais cara de energia elétrica e os desequilíbrios de preços nos insumos e gargalos nas cadeias produtivas globais.

A questão fiscal foi um elemento central de discussão durante o segundo semestre de 2021, principalmente com a tramitação da PEC dos Precatórios no Congresso. A incerteza causou movimentos no mercado de piora nas projeções de inflação e juros, por exemplo.

Durante o ano passado, o presidente do BC ressaltou em algumas ocasiões esse questionamento ao “arcabouço fiscal” feito pelo mercado, mas ressaltando que os números fiscais, principalmente da dívida pública, estavam positivos. A dívida pública chegou a 81,1% em novembro, depois de atingir o pico de 89,4% em fevereiro de 2021.

Apesar de não estar entre os principais fatores para a inflação alta, Campos Neto citou na carta que a depreciação do câmbio no segundo semestre do ano passado foi causada principalmente pelo risco fiscal.

“A tendência de depreciação na segunda metade de 2021 refletiu principalmente questionamentos em relação ao futuro do arcabouço fiscal vigente e o aumento dos prêmios de risco associados aos ativos brasileiros, diante da maior incerteza em torno da trajetória futura do endividamento soberano”, apontou o presidente do BC.

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