Em carta, papa Francisco elogia Fiocruz e diz que pandemia evidenciou o 'vírus da indiferença'

MÔNICA BERGAMO
·2 minuto de leitura
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 26-07-2013 - O papa Francisco. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 26-07-2013 - O papa Francisco. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em carta enviada à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) nesta terça-feira (3), o papa Francisco elogiou a instituição por seu trabalho, saudou profissionais da saúde que trabalham na linha de frente contra a Covid-19 e disse que a pandemia "não excluiu ninguém no seu rastro de sofrimento".

"Neste momento em que o Brasil, juntamente com o resto do mundo, enfrenta a pandemia da Covid-19, se faz ainda mais significativa a missão desta instituição e de cada profissional da saúde", afirma.

"Penso que o esforço da Fiocruz, bem como de tantos outros centros de pesquisa no Brasil e de cada mulher e homem, investigador, médico ou enfermeiro, além de ser uma manifestação de zelo profissional, pode —e deve— ser vivido como uma expressão concreta de amor para o próximo", segue.

A carta foi enviada em resposta a um pedido da instituição para que o pontífice compartilhasse uma mensagem no seminário "Fratelli Tutti: a mensagem social global do papa Francisco", realizado nesta terça, do qual participaram o teólogo Leonardo Boff, o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, a pesquisadora emérita da Fiocruz Maria Cecilia Minayo e o professor emérito da instituição Paulo Marchiori Buss.

No documento, o papa Francisco citou sua encíclica, “Fratelli Tutti” (“Todos Irmãos”, em italiano), que versa sobre fraternidade e amizade, para reforçar seu pedido pela construção de uma "sociedade marcada pela inclusão".

"[Esta pandemia] evidenciou ainda mais os efeitos nocivos de um outro tipo de vírus que há muito tempo assola a humanidade: o vírus da indiferença, que nasce do egoísmo e gera injustiça social", diz.

A Fiocruz é a instituição que produzirá a vacina da Universidade de Oxford no Brasil, se ela for aprovada. Na segunda (2), a presidente da fundação, Nísia Trindade Lima, afirmou que as primeiras doses do imunizante contra a Covid-19 devem ser aplicadas no país até março de 2021.