Em cartaz com sucesso no Rio, Mônica Martelli fala de vida em São Paulo, relacionamento e libido: 'Veio como nunca'

Morando há quatro anos em São Paulo, Mônica Martelli não esconde a emoção por estar de volta ao Rio com a peça “Minha vida em Marte”. “Foi aqui que tudo na minha vida aconteceu”, justifica a atriz, natural de Macaé. Quando parou para selecionar o que precisaria ser atualizado no espetáculo, que reestreia mais de cinco anos após ser lançado, refletiu sobre o quanto é atemporal a temática, crise no relacionamento.

— A peça fala de sentimentos, do medo de se separar aos 45 anos, da tentativa de resgatar o romance dentro de um casamento, a coragem que é encarar uma vida que não está mais boa — destaca Mônica, que, se pudesse, daria um conselho à sua personagem no espetáculo, bem como a todas as mulheres: — Ouça o que você está sentindo. Sempre terão questões para consertar nos relacionamentos. Numa relação, temos que ceder em algumas coisas. Mas às vezes, começamos a abrir mão demais.

Na comédia, que já foi vista por mais de 300 mil espectadores pelo país e indicada a vários prêmios, a atriz é Fernanda, que tenta achar saídas para a crise no seu casamento. Além das expectativas frustradas, do acúmulo de mágoas e do peso da rotina, a personagem ainda enfrenta a falta de libido. Apesar de ter tido suas próprias experiências como inspiração para o monólogo, Mônica, hoje com 54 anos, vive uma realidade bem distinta ao lado do namorado, o empresário Fernando Alterio:

— Dei uma sorte grande quando entrei na menopausa, porque foi justamente quando me apaixonei pelo Fernando. Acho que isso deu uma equilibrada e eu não senti falta de libido severa. Pelo contrário! Minha libido veio como nunca antes, porque eu estava muito apaixonada por ele. Continuo, mas agora nós caminhamos da paixão para o amor.

Vida em São Paulo

A atriz se mudou para a capital paulista com a filha, Julia, que se apaixonou pela cidade. A menina, hoje com 13 anos, acompanha a mãe nas peças desde mais nova. Ao final das sessões, aparece no palco para agradecer ao público também.

— Sempre falo para ela: “Estou aqui para você, conte comigo”. Mesmo quando ela não quer falar, porque agora está entrando na adolescência, eu estou presente. Julia troca tudo comigo.

A duas quadras da casa da atriz, mora o namorado.

— Acho que, no futuro, as formas de se relacionar tendem a mudar um pouco no sentido de que morar junto não vai ser mais quase que uma obrigação. Hoje, por exemplo, namoro e moro separado. Não tenho a menor vontade de morar junto — diz Mônica, que também não pensa em casar-se convencionalmente outra vez: — O que é casamento? Assinar papel? Ter filho? Para mim, é ter cumplicidade com o parceiro, amor e paixão, ter tesão, vontade de abraçar, beijar, dormir grudado. Tudo isso eu tenho. Então se casamento for isso, nunca fui tão casada na vida.

A temporada de “Minha vida em marte” no Rio é curta e a atriz, apesar de estar encantada em retornar à cidade onde morou por anos, não tem planos de voltar de vez.

— Minha filha está adaptada em São Paulo, uma cidade muito boa para trabalhar. E é onde mora o meu namorado, que eu amo — justifica.

Em patrimônio cultural

A atual temporada da peça teve o seu início marcado pela entrega da placa de Patrimônio Cultural Carioca, concedido pela Prefeitura do Rio, ao Teatro Casa Grande. O evento ocorreu na última quinta-feira e teve a presença do prefeito Eduardo Paes. A atriz também celebrou a importância política da casa.

— Está sendo muito especial a minha reestreia num teatro que é um espaço cultural que tem uma trajetória política de resistência muito importante e muito bonita, neste momento em que estamos todos unidos em nome da democracia brasileira — ressalta ela, que completa: — Este é um palco que, além de receber grandes artistas, abrigou encontros e debates históricos que ajudaram na redemocratização desse país da consolidação das liberdades políticas. Estou muito feliz de fazer parte da história deste teatro tão emblematico que aqui foi assinado o fim da censura no Brasil.