Em casa, universitários ganham companhia da família nas aulas on-line

Natália Boere
De olho na tela. A estudante de Administração Gabrielle Silva tem a companhia do marido, Douglas Silva

RIO — Um programa em família diferente, proporcionado pela quarentena. Com a suspensão das aulas presenciais devido à pandemia, estudantes de diversas instituições de ensino passaram a ter aulas on-line. E, no caso dos universitários, muitas vezes o estudo em casa acaba atraindo a atenção daqueles com quem dividem o teto. Foi o que aconteceu com Natalia Ogata e Gabrielle Silva, ambas alunas do campus Barra da Universidade Veiga de Almeida. As duas ganharam a companhia de seus maridos durante as aulas.

O engenheiro mecânico Diogo Ogata, companheiro de Natalia, aluna do quinto semestre do curso de Nutrição, tem sido, inclusive, cobaia dela nas aulas de avaliação nutricional. Ele trabalha numa empresa de petróleo e está fazendo home office. Os dois compartilham a mesa na sala de sua casa, na Barra, cada um numa ponta, com um fone de ouvido.

— Um dia, o professor estava explicando como fazer a medida da circunferência do braço. Tirei o fone e falei: “Chega aqui que eu vou fazer em você”. Comprei um adipômetro (aparelho para medir gordura) para a matéria e estou testando nele — conta Natalia, de 31 anos.

Desde então, diz a estudante, os dois têm compartilhado as explicações do professor, e Ogata dá suporte nas tarefas que demandam elaboração de gráficos e planilhas.

— Meu marido gosta de se exercitar e adora números. Às vezes, quando tem muito cálculo, ele entende até melhor do que eu as explicações do professor e me ajuda — diz ela.

Aluna do último semestre de Administração, Gabrielle, de 29 anos, também tem contado com a participação ativa do marido, o técnico em TI Douglas da Silva, em suas aulas. Ele estuda Ciências da Computação e está aproveitando para aprender com ela sobre análise de demonstrações contábeis.

— Quero saber mais sobre o tema para criar softwares que automatizem balanços financeiros, por exemplo — explica Silva.

Para Gabrielle, o momento a dois é mais uma forma de relaxar e distrair a cabeça em meio à quarentena e às notícias pouco animadoras.

— Ele tem me ajudado a fazer meus trabalhos, e eu também o ajudo. Nestes tempos de pandemia, esta troca está sendo muito boa para nós — diz a moradora da Muzema.