Em caso de falta, Anvisa sugere que profissionais usem máscara vencida e reutilizem as que estão em condição

André de Souza

BRASÍLIA - Em razão da grande demanda que o novo coronavírus deverá provocar nos serviços de saúde do país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está recomendando que, dependendo da situação, possam ser usadas máscaras N95 ou equivalentes com prazo de validade já vencido. A recomendação vale para profissionais de saúde.

Em nota técnica atualizada neste sábado com orientações para os profissionais de saúde, a agência faz uma ressalva: eles deverão tomar uma série de medidas de precaução e descartar o que não for mais adequado para uso. No mesmo documento, a Anvisa diz que as máscaras desse tipo podem ser reutilizadas excepcionalmente pelo mesmo profissional de saúde caso estejam em falta.

As máscaras N95 ou equivalentes filtram partículas no ar e garantem um proteção contra a contaminação que as máscaras cirúrgicas convencionais não dão. Seu uso é recomendado aos profissionais de saúde. A população não deve fazer utilização de máscaras, com exceção das pessoas que possuem sintomas da doença Covid-19.

"Excepcionalmente, em situações de carência de insumos e para atender a demanda da epidemia da Covid-19, a máscara N95 ou equivalente poderá ser reutilizada pelo mesmo profissional, desde que cumpridos passos obrigatórios para a retirada da máscara sem a contaminação do seu interior. Com objetivo de minimizar a contaminação da máscara N95 ou equivalente, se houver disponibilidade, pode ser usado um protetor facial (face shield). Se a máscara estiver íntegra, limpa e seca, pode ser usada várias vezes durante o mesmo plantão pelo mesmo profissional (até 12 horas ou conforme definido pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH do serviço de saúde)", diz trecho do documento.

Quanto às máscaras fora do prazo de validade designado pelo fabricante, a agência destaca que elas "podem não cumprir os requisitos para os quais foram certificados". Assim, "com o tempo, componentes como as tiras e o material da ponte nasal podem se degradar, o que pode afetar a qualidade do ajuste e da vedação". Por isso a necessidade de tomar algumas precauções.

A Anvisa recomenda que seja feita uma inspeção visual da máscara vencida para checar se sua integridade foi comprometida. O profissional de saúde também deve verificar o estado de alguns de seus componentes para, assim, avaliar se ela ainda é eficaz para o uso. Caso a máscara não passe por esse teste, deve ser descartada.

Contraindicação

A agência também orienta a não sobrepor uma máscara cirúrgica convencional sobre a N95 por dois motivos. O primeiro: ela não garante o mesmo tipo de proteção ao profissional de saúde contra a contaminação pelo vírus. O segundo: isso pode levar à escassez também da máscara cirúrgica.

Para as máscaras poderem ser reutilizadas pelo mesmo profissional, a Anvisa orienta a forma correta de retirá-la após o primeiro uso: "Para remover a máscara, retire-a pelos elásticos, tomando bastante cuidado para não tocar na superfície interna e acondicione em um saco ou envelope de papel com os elásticos para fora, para facilitar a retirada da máscara. Nunca coloque a máscara já utilizada em um saco plástico, pois ela poderá ficar úmida e potencialmente contaminada".

A agência também diz que "NUNCA se deve tentar realizar a limpeza da máscara N95 ou equivalente, já utilizadas, com nenhum tipo de produto".