Em cerimônia discreta, Bolsonaro dá posse a Marcelo Queiroga como ministro da Saúde

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Doctor Marcelo Queiroga, appointed by Brazilian President Jair bolsonaro as Minister of Health talks to the press outside the ministry in Brasilia, on March 16, 2021. - Queiroga replaces the former Minister of Health Eduardo Pazuello at a time when the health system is on the verge of collapse due to the coronavirus pandemic that has already left nearly 280,000 dead. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Marcelo Queiroga demorou uma semana para assumir oficialmente a pasta. O duplo comando no ministério vinha gerando críticas entre governadores, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e também secretários de saúde dos Estados (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • Marcelo Queiroga tomou posse como ministro da Saúde

  • Queiroga substitui Eduardo Pazuello no pior momento da pandemia de Covid-19

  • O cardiologista demorou uma semana para assumir oficialmente a pasta e o duplo comando no ministério vinha gerando críticas

O cardiologista Marcelo Queiroga tomou posse como novo ministro da Saúde nesta terça-feira (23). Em cerimônia discreta no Palácio do Palanalto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) oficializou o médico na chefia do Ministério da Saúde. A nomeação foi publicada na tarde de hoje em edição extra do DOU (Diário Oficial da União).

Queiroga substitui Eduardo Pazuello no pior momento da pandemia de Covid-19, com recordes sucessivos de mortes e contaminações. O Brasil já soma mais de 290 mil mortes pela Covid e é esperado que ainda hoje aconteça um novo recorde de mortes diarias, ultrapassando a marca dos 3 mil óbitos em 24 horas.

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Marcelo Queiroga demorou uma semana para assumir oficialmente a pasta. O duplo comando no ministério vinha gerando críticas entre governadores, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e também secretários de saúde dos Estados.

A situação, segundo fontes do Palácio, ocorria porque o governo busca proteger a imagem de Pazuello — e também para dar tempo a Bolsonaro.

De acordo com o G1, o presidente tenta negociar um novo cargo para o general, visando manter o foro privilegiado dele, evitando que Pazuello seja investigado em primeira instância.

Novo ministro da Saúde enfrenta críticas

Antes mesmo de assumir o cargo, o novo minsitro da Saúde já enfrenta críticas por causa das primeiras declarações. Há, inclusive, reclamações dentro do próprio governo Bolsonaro.

Na noite em que foi anunciado como novo ministro, na segunda-feira passada (15), Queiroga afirmou que lockdown só deve ser aplicado em “situações extremas” e “não pode ser política de governo”.

Doctor Marcelo Queiroga (L), appointed by Brazilian President Jair bolsonaro for Minister of Health, and current Minister Eduardo Pazuello talk to the press outside the ministry in Brasilia, on March 16, 2021. - Queiroga replaces the former Minister of Health Eduardo Pazuello at a time when the health system is on the verge of collapse due to the coronavirus pandemic that has already left nearly 280,000 dead. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Neste fim de semana, ele chegou a dizer que iria visitar hospitais para realmente ver se pacientes estavam morrendo de Covid-19 no Brasil (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

“Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados”, afirmou Queiroga.

Na quinta (18), Queiroga disse, em frente ao Palácio do Planalto, que a vacina não vai reduzir as mortes de Covid-19 "no curto prazo" e que é preciso fazer distanciamento social e melhorar a qualidade de assistências na UTI.

"A gente tem que criar as condições de melhorar a assistência hospitalar, sobretudo nas UTIs" disse o médico, ao chegar no Planalto, após ser questionado sobre o recorde no número de óbitos. "A vacina, como sabemos, não vai resolver a curto prazo esses óbitos. O que resolve? Política de distanciamento social inteligente e melhorar a qualidade de assistência nas unidades de terapia intensiva".

Neste fim de semana, ele chegou a dizer que iria visitar hospitais para realmente ver se pacientes estavam morrendo de Covid-19 no Brasil.

Quem é Marcelo Queiroga

Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga chega ao cargo com o desafio de chefiar a pasta no pior momento da pandemia no país e com uma forte pressão pela vacinação em massa da população.

Bolsonaro também prometeu, sem explicar detalhes, que o novo ministro será responsável por um amplo programa de vacinações. "No tocante a vacinas, um programa bastante ousado, mais de 400 milhões de doses contratadas até o final do ano. Este mês vamos receber mais de 4 milhões de vacinas, e essa política de vacinação em massa continuará cada vez mais presente em nosso governo."

Marcelo Queiroga tem bom trânsito no governo Bolsonaro

Marcelo Queiroga já tinha demonstrado ter um bom trânsito no governo mesmo antes de ser anunciado como ministro. Ele agrada não só Bolsonaro como também a militância do presidente nas redes sociais, mesmo defendendo o isolamento social.

Qual o perfil de Marcelo Queiroga para ser ministro?

Com perfil técnico, Queiroga fez parte da equipe de transição do governo na área da saúde e foi indicado por Bolsonaro para assumir um cargo na direção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Onde Marcelo Queiroga se formou médico?

Formado em medicina pela Universidade Federal da Paraíba, Queiroga tem mais de 30 anos de experiência como médico. Hoje, ele cursa doutorado em Bioética na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal. Ele também é diretor do Departamento de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (Cardiocenter) do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, em João Pessoa, na Paraíba.

O que há no currículo de Marcelo Queiroga?

No currículo enviado ao Senado, Queiroga informou ser diretor do Departamento de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (Cardiocenter) do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, em João Pessoa, e cardiologista do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita (PB).

Marcelo Queiroga ja é indicado para a ANS

Em dezembro do ano passado, Queiroga foi indicado por Bolsonaro para ser um dos diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A indicação ainda não foi votada pelo Senado Federal.

Como Marcelo Queiroga quer combater a pandemia?

Para o novo ministro, é preciso dar gás ao programa de imunização do país, uma referência pela capilaridade e pela agilidade, para cair a pressão contra os hospitais. "Mais vacinados, menos doentes", diz. "Mas, daqui, é fácil falar. Temos um país continental e de múltiplas realidades. Não é preciso inventar a roda, basta colocarmos em prática tudo o que a ciência já nos mostrou que funciona", afirma.

O que não vai entrar em seu cardápio será a cloroquina, diz. O medicamento é defendido por Bolsonaro e integra o "tratamento precoce" contra a Covid-19 também receitado por muitos médicos. "A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomendou o uso dela nos pacientes". "E nem eu sou favorável porque não há consenso na comunidade científica", reafirma Queiroga.

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