Em cinco anos, China enterrou política do filho único

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Crianças brincam em uma creche em Yantai, na China, em 31 de maio de 2021

Em cinco anos, a China enterrou sua política do filho único, passando a autorizar famílias a terem até três filhos. Confira abaixo uma cronologia de quatro décadas de política familiar no país mais populoso do mundo.

- A política do filho único -

No final da década de 1970, os dirigentes chineses descobriram, para sua surpresa, que a população do país estava perto de 1 bilhão de habitantes, quase o dobro de 1949, quando os comunistas chegaram ao poder (969 milhões em 1979, contra 540 milhões, 30 anos antes).

Em resposta, o homem forte do regime, Deng Xiaoping, impõe a "política do filho único", que prevê pesadas multas para seus infratores, embora inclua exceções para as minorias étnicas, ou famílias de camponeses, se seu primeiro filho tiver sido uma menina.

O número de nascimentos está diminuindo: a taxa de fertilidade (o número de filhos para cada mulher em idade reprodutiva) cai para 1,6 no final da década de 1990, ante 5,9, em 1970. Pequim afirma que, graças à sua política, 400 milhões de nascimentos foram evitados.

Esta política foi muito criticada, porém, pelos abortos e pelas esterilizações forçadas, assim como pelas consequências que teve na evolução sociológica do país: a geração dos "pequenos imperadores" cresceu sem saber o que é ter um irmão, ou uma irmã, primos, tios e tias.

- Primeira abertura -

Apesar do risco de envelhecimento de sua população, o regime comunista hesita na hora de liberalizar sua política, por medo de provocar uma explosão populacional. Ao final, em 2013, autoriza casais, cujos dois componentes sejam filhos únicos, a terem dois filhos.

Dois anos depois, porém, apenas 1,45 milhão de casais haviam se inscrito para ter um segundo filho, ou seja, apenas 15% da população que poderia se beneficiar da medida.

- Dois filhos para todos -

Em 2016, Pequim decide autorizar que todos os casais pudessem ter dois filhos. Mas o custo da educação é alto, os apartamentos são pequenos e, com a evolução do estilo de vida e dos costumes, os chineses estão cada vez mais se casando mais tarde e se divorciando mais. A taxa de natalidade não decola.

No ano passado, o número de nascimentos caiu para 12 milhões, seu nível mais baixo desde 1961.

- Três filhos por família -

Em 31 de maio de 2021, o Partido Comunista anuncia que as famílias poderão ter três filhos, três semanas após a publicação do censo decenal (2020). O documento revelou um rápido envelhecimento da população.

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